dicas para uma melhor leitura...
as pseudo crónicas estão apresentadas da última para a primeira... logo a leitura inicial deve ser dos textos mais a baixo para os mais acima! (as datas, no fim de cada uma, ajudam)
também têm na coluna da direita o arquivo das mesmas por mês.
assim, o melhor é mesmo clicar num titulo (do arquivo) de cada vez, a partir de baixo para cima.
Bem vindos,
joão
as pseudo crónicas estão apresentadas da última para a primeira... logo a leitura inicial deve ser dos textos mais a baixo para os mais acima! (as datas, no fim de cada uma, ajudam)
também têm na coluna da direita o arquivo das mesmas por mês.
assim, o melhor é mesmo clicar num titulo (do arquivo) de cada vez, a partir de baixo para cima.
Bem vindos,
joão
Poderia chamar-se "Um quarentão por terras de África"
O que se aprende...
estando longe ou perto
cá ou lá
desperto ou nem tanto
com sonhos ou sonhando
assistindo ou deixando marca
calando ou gritando
aos 39 ou 40
ou...
apenas lendo Jorge Luis Borges?
Um abraço a todos,
29.11.10
joão
Avassati va lomu
http://xiconhoca22.com.sapo.pt/Marrabenta.mp3
Chama-se Avassati va lomu (As mulheres da minha terra) e é interpretada por uma lindíssima voz de Moçambique, Mingas. A versão original é do falecido Fanny Pfumo (por muitos é consideradoo rei da marrabenta).
Não sei o que dizem as suas palavras mas na voz da Mingas, fechando os olhos, parece uma brisa refrescante, um embalo para a felicidade, conquista, realização ou, talvez não tanto... talvez pareça apenas um sorriso simples e reconfortante de chegado o final do dia... dum outro dia...
Talvez seja mesmo sobre esse sorriso que deve pairar, ao por do sol, nessas mulheres, mães, avós, filhas de tantas comunidades espalhadas por este país.
Não querendo falar de trabalho (tinha prometido a mim mesmo que o Blog não seria para isso), as experiências que ele proporciona revelam-se num compromisso, mínimo mas real, com esses sorrisos de final de tarde...
Turismo sustentável, turismo de base comunitária, eco-turismo, turismo solidário são conceitos mas mais do que isso, são atitudes que tocam vivências que nos estão tão longe, mesmo nos sonhos! Conseguir que turistas entendam a diferença que uma decisão sua implica numa comunidade, nesses sorrisos locais, é um desafio imenso... Mas o contrario também é igualmente desafiante: conseguir que populações locais entendam os sorrisos dos visitantes!
E, nestas andanças pela região sul do país, nas visitas aos projectos comunitários e às próprias comunidades; nas reuniões com os régulos no terreiro do conjunto habitacional de palhotas aleatoriamente dispersas, onde as mulheres apenas nos olham de longe, sentadas no chão; nas fontes onde se abastecem todas as vasilhas inventadas e imaginárias (são elas que controlam a água!!); nas bermas da estrada sempre com o mesmo destino nos pés e a mesma catana na mão, nas machambas e campos de pequenas plantações; nas ribeiras lavando trapos em forma de roupa; nos recreios das escolas longínquas de casa; nas capulanas atadas às costas das mães ou avós... há sorrisos escondidos, uns mudos, outros bem sonoros, uns curiosos, outros com medo, mas todos desejando de chegar ao fim de mais um dia...
A questão é saber se há sorrisos que lhes correspondam? Que lhes possam contribuir para um embalo para a felicidade, conquista, realização... ou apenas ajudar para que não se apaguem...
28.11.10
Chama-se Avassati va lomu (As mulheres da minha terra) e é interpretada por uma lindíssima voz de Moçambique, Mingas. A versão original é do falecido Fanny Pfumo (por muitos é consideradoo rei da marrabenta).
Não sei o que dizem as suas palavras mas na voz da Mingas, fechando os olhos, parece uma brisa refrescante, um embalo para a felicidade, conquista, realização ou, talvez não tanto... talvez pareça apenas um sorriso simples e reconfortante de chegado o final do dia... dum outro dia...
Talvez seja mesmo sobre esse sorriso que deve pairar, ao por do sol, nessas mulheres, mães, avós, filhas de tantas comunidades espalhadas por este país.
Não querendo falar de trabalho (tinha prometido a mim mesmo que o Blog não seria para isso), as experiências que ele proporciona revelam-se num compromisso, mínimo mas real, com esses sorrisos de final de tarde...
Turismo sustentável, turismo de base comunitária, eco-turismo, turismo solidário são conceitos mas mais do que isso, são atitudes que tocam vivências que nos estão tão longe, mesmo nos sonhos! Conseguir que turistas entendam a diferença que uma decisão sua implica numa comunidade, nesses sorrisos locais, é um desafio imenso... Mas o contrario também é igualmente desafiante: conseguir que populações locais entendam os sorrisos dos visitantes!
E, nestas andanças pela região sul do país, nas visitas aos projectos comunitários e às próprias comunidades; nas reuniões com os régulos no terreiro do conjunto habitacional de palhotas aleatoriamente dispersas, onde as mulheres apenas nos olham de longe, sentadas no chão; nas fontes onde se abastecem todas as vasilhas inventadas e imaginárias (são elas que controlam a água!!); nas bermas da estrada sempre com o mesmo destino nos pés e a mesma catana na mão, nas machambas e campos de pequenas plantações; nas ribeiras lavando trapos em forma de roupa; nos recreios das escolas longínquas de casa; nas capulanas atadas às costas das mães ou avós... há sorrisos escondidos, uns mudos, outros bem sonoros, uns curiosos, outros com medo, mas todos desejando de chegar ao fim de mais um dia...
A questão é saber se há sorrisos que lhes correspondam? Que lhes possam contribuir para um embalo para a felicidade, conquista, realização... ou apenas ajudar para que não se apaguem...
28.11.10
Desafio!!
Já vinha pensando nesta ideia há uns dias:
Lançar-lhes um desafio!
Em 4 meses de cá estar em terras de África, o que é que um cooperante tuga compra mais vezes para casa?
Quais são os 2 produtos que mais compro (ou compro mais vezes) para casa?
Já está atribuida uma prenda Moçambicana para a resposta certa!
Mas tem de acertar nos 2 produtos! Poderão escrever nos comentários e eu anuncio assim que alguém acertar, ok?
bute lá... ;)
ah, as fotos são do placar de Honra de Lower Sabie Rest Camp no Kruger, onde se apresentavam os 7 magníficos! Os 7 elefantes mais importantes do Kruger... e liam-se entre outros nomes de elefantes, o Shingwedzi, o Dzombo, o Kambaku e o Joao!!!
hehehe
29.10.10
joão
Tugas p'lo Mundo
Ontem à noite dei comigo a fazer esta reflexão:
Gosto deste programa! Já é o 5º que vejo, assim sem querer... e embasbaco-me, delicio-me!
Por sorte acendo a tv, passo pela RTP Internacional (para os que estão fora, penso eu, vai-nos aconchegando quer nas boas quer nas más noticias dai. Bastam ser dai!) e dou de caras com os Portugueses pelo Mundo, produção da Eyeworks Portugal.
http://www.youtube.com/view_play_list?p=C17CEB718573BA44
Mas voltando à reflexão, não sei se lhe devo chamar documentário ou roteiro de viagens... Penso que é uma mescla dos 2, contando histórias de Portugueses espalhados por essas cidades do Mundo, normalmente 5, 6 (tugas), misturando-as entre os que vivem melhor e os que vão vivendo, entre os que trabalham e os que estudam, entre os que levaram ou criaram família e os que estão sozinhos mas não estão sós, entre os que não pensam ficar e os que não pensam sair e os que apenas não querem pensar no assunto. Mas todos eles, que vão desfilando neste contador de vidas, desfrutando de uma vida alheia à sua Pátria, por um período de tempo, mais ou menos "temporal"...
Para por um fim à reflexão, inicio outra:
Mas eu estou na mesma circunstância...Por muito tempo para uns e pouco para outros, muito tempo para mim, em algumas circunstancias e pouco tempo noutras, sou um português pelo mundo! Também poderia ser um Português pelo Mundo!
e a reflexão continua... que lugares em Maputo faria a câmara me seguir?
Desde a Fortaleza de Maputo (antiga feitoria Portuguesa na foz do rio Espírito Santo ao Museu de História Natural (com a a maior colecção de exemplares do desenvolvimento embrionário do elefante); desde o Mercado do peixe (onde se compra peixe e mariscos e leva-se ao lado para a esplanada dos restaurante para serem preparados para o almoço, pegando-se bebidas e mão de obra) ao Mercado do pau ao sábado (para comprar todo o tipo de artefactos de artesanato tradicional Moçambicano); desde o Instituto Franco Moçambicano (onde se passa um agradável fim de tarde a ver a exposição - há sempre uma - beber uma taça de vinho na esplanada, enquanto se espera para o concerto no auditório); desde um jantar de caranguejo (maior que a nossa santola) cozido ao natural, a um almoço de garoupa fresquinha no assador de casa de um amigo (eu não tenho); desde um copo no Nucleo de arte ao domingo ao final da tarde, a assistir a um concerto ao vivo bem intimista, mas que sempre põe toda a gente a dançar, a uma Jam session no Gil Vicente; desde uma manhã na praia da Costa do Sol para ver meia população de Maputo a se banhar e pic-nicar, ou o espectáculo dançante das asas dos Kite-surfistas, ao final de tarde na esplanada do Hotel Cardoso, com a melhor vista sobre Maputo e o pôr do sol...
Porque não? Porque não depois de Nova York, Sidney, Berlin, Istambul, Cidade do Cabo e Zagreb, Maputo?
Também há Portugueses pelo Mundo não ocidentalizado! E em Maputo, somos bem mais que 5 ou 6... hehe... Vá lá Eyeworks Portugal, venham pôr o olho nos Portugueses pelo Mundo de Maputo
27.10.10
joão
Gosto deste programa! Já é o 5º que vejo, assim sem querer... e embasbaco-me, delicio-me!
Por sorte acendo a tv, passo pela RTP Internacional (para os que estão fora, penso eu, vai-nos aconchegando quer nas boas quer nas más noticias dai. Bastam ser dai!) e dou de caras com os Portugueses pelo Mundo, produção da Eyeworks Portugal.
http://www.youtube.com/view_play_list?p=C17CEB718573BA44
Mas voltando à reflexão, não sei se lhe devo chamar documentário ou roteiro de viagens... Penso que é uma mescla dos 2, contando histórias de Portugueses espalhados por essas cidades do Mundo, normalmente 5, 6 (tugas), misturando-as entre os que vivem melhor e os que vão vivendo, entre os que trabalham e os que estudam, entre os que levaram ou criaram família e os que estão sozinhos mas não estão sós, entre os que não pensam ficar e os que não pensam sair e os que apenas não querem pensar no assunto. Mas todos eles, que vão desfilando neste contador de vidas, desfrutando de uma vida alheia à sua Pátria, por um período de tempo, mais ou menos "temporal"...
Para por um fim à reflexão, inicio outra:
Mas eu estou na mesma circunstância...Por muito tempo para uns e pouco para outros, muito tempo para mim, em algumas circunstancias e pouco tempo noutras, sou um português pelo mundo! Também poderia ser um Português pelo Mundo!
e a reflexão continua... que lugares em Maputo faria a câmara me seguir?
Desde a Fortaleza de Maputo (antiga feitoria Portuguesa na foz do rio Espírito Santo ao Museu de História Natural (com a a maior colecção de exemplares do desenvolvimento embrionário do elefante); desde o Mercado do peixe (onde se compra peixe e mariscos e leva-se ao lado para a esplanada dos restaurante para serem preparados para o almoço, pegando-se bebidas e mão de obra) ao Mercado do pau ao sábado (para comprar todo o tipo de artefactos de artesanato tradicional Moçambicano); desde o Instituto Franco Moçambicano (onde se passa um agradável fim de tarde a ver a exposição - há sempre uma - beber uma taça de vinho na esplanada, enquanto se espera para o concerto no auditório); desde um jantar de caranguejo (maior que a nossa santola) cozido ao natural, a um almoço de garoupa fresquinha no assador de casa de um amigo (eu não tenho); desde um copo no Nucleo de arte ao domingo ao final da tarde, a assistir a um concerto ao vivo bem intimista, mas que sempre põe toda a gente a dançar, a uma Jam session no Gil Vicente; desde uma manhã na praia da Costa do Sol para ver meia população de Maputo a se banhar e pic-nicar, ou o espectáculo dançante das asas dos Kite-surfistas, ao final de tarde na esplanada do Hotel Cardoso, com a melhor vista sobre Maputo e o pôr do sol...
Porque não? Porque não depois de Nova York, Sidney, Berlin, Istambul, Cidade do Cabo e Zagreb, Maputo?
Também há Portugueses pelo Mundo não ocidentalizado! E em Maputo, somos bem mais que 5 ou 6... hehe... Vá lá Eyeworks Portugal, venham pôr o olho nos Portugueses pelo Mundo de Maputo
27.10.10
joão
Faz um ano...
Por estes dias, faz um ano várias vezes!!
Outubro, há um ano foi um mês de muitos acontecimentos interligados... de acontecimentos marcantes... contigo sempre como denominador comum!
Mas hoje, 22.10.10, faz um ano que ao te ouvir, escrevi no telemóvel, à pressa as tuas palavras, nesse corredor do Hospital de Santa Marta, enquanto esperávamos os resultados e análise técnica à bateria de exames que desde o inicio do mês tinhas feito.
As expectativas não eram as melhores e os teus filhos sabiam-no de conversas anteriores com os médicos.
Tu, na tua esperteza de mãe, ias-nos lendo nos rostos os pensamentos e as palavras que não queiramos ter. À Ana, nas vésperas de abalarmos para Lisboa, a mim, durante a viagem - que viagem, para arranjar outros assuntos... para arranjar ruídos falantes que afugentassem os silêncios comprometedores - e à Janita nesse mesmo corredor, que num passado muito recente, de costas para ti, não tinha conseguido conter as lágrimas depois da primeira versão do teu diagnostico proferido pelo mesmo médico que,faz hoje um ano esperávamos no corredor de todas as verdades!!
E,nesse dia, nesse corredor, lendo-nos, tentaste desanuviar o ambiente (com uma primeira expressão) sem o conseguir (pois a seguir veio a verdadeira), nessas palavras que hoje recordo (ainda gravadas no meu telemóvel:
"Parece que estou nos Idolos à espera de saber se sou apurada ou não! Pela cara dele(o médico tinha acabado de passar por nós para o gabinete)vejo logo que não fui apurada...
para de seguida cantarolar: " Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida..."
O tempo foi-se passando e depois de silêncios mais enervantes que as primeiras tolas palavras, mesmo antes de entramos no gabinete do médico, a expressão dos teus sentimentos, incertezas e medos mais profundos: "Eu não falo... mas não sei se tenho mais medo das minhas palavras ou do meu silêncio!"
Um ano já passou, outros virão e silêncios e palavras te/nos acompanharão nas futuras memórias de momentos que marcam pela vivência mas também pelas certezas, esperanças e vidas...
22.10.10
joão
Outubro, há um ano foi um mês de muitos acontecimentos interligados... de acontecimentos marcantes... contigo sempre como denominador comum!
Mas hoje, 22.10.10, faz um ano que ao te ouvir, escrevi no telemóvel, à pressa as tuas palavras, nesse corredor do Hospital de Santa Marta, enquanto esperávamos os resultados e análise técnica à bateria de exames que desde o inicio do mês tinhas feito.
As expectativas não eram as melhores e os teus filhos sabiam-no de conversas anteriores com os médicos.
Tu, na tua esperteza de mãe, ias-nos lendo nos rostos os pensamentos e as palavras que não queiramos ter. À Ana, nas vésperas de abalarmos para Lisboa, a mim, durante a viagem - que viagem, para arranjar outros assuntos... para arranjar ruídos falantes que afugentassem os silêncios comprometedores - e à Janita nesse mesmo corredor, que num passado muito recente, de costas para ti, não tinha conseguido conter as lágrimas depois da primeira versão do teu diagnostico proferido pelo mesmo médico que,faz hoje um ano esperávamos no corredor de todas as verdades!!
E,nesse dia, nesse corredor, lendo-nos, tentaste desanuviar o ambiente (com uma primeira expressão) sem o conseguir (pois a seguir veio a verdadeira), nessas palavras que hoje recordo (ainda gravadas no meu telemóvel:
"Parece que estou nos Idolos à espera de saber se sou apurada ou não! Pela cara dele(o médico tinha acabado de passar por nós para o gabinete)vejo logo que não fui apurada...
para de seguida cantarolar: " Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida..."
O tempo foi-se passando e depois de silêncios mais enervantes que as primeiras tolas palavras, mesmo antes de entramos no gabinete do médico, a expressão dos teus sentimentos, incertezas e medos mais profundos: "Eu não falo... mas não sei se tenho mais medo das minhas palavras ou do meu silêncio!"
Um ano já passou, outros virão e silêncios e palavras te/nos acompanharão nas futuras memórias de momentos que marcam pela vivência mas também pelas certezas, esperanças e vidas...
22.10.10
joão
21.10.10
2 meses! por este dia, dentro de 2 meses estarei a chegar ao aeroporto da Portela!
De volta desta desventura que busquei viver quase de rajada. Olhando para trás, a oportunidade apareceu. A oportunidade foi agarrada. Mesmo pensando que poderia não acontecer, tentei e consegui. Era um sonho dizem-me! Talvez sim, talvez tenha transmitido essa sensação. Talvez tenha sido a real sensação de me testar, nesta altura da vida (depois de outras alturas, outras vidas), ou talvez a inconsciência dum futuro que não era previsto! Não sei, nem quis saber muito! O processo para aqui chegar foi rápido. As expectativas eram tudo aquilo que se pode criar dentro desse sonho. Vivê-lo é outra coisa. Não descurar o que sou, do que sou feito, o que me complementa, é um exercício, que noutro ambiente (em cada despertar incaracterístico e ao mesmo tempo desafiante), difícil de superar.
É neste domínio de sensações, apenas uma certeza preenche grandes vácuos, a 2 meses de um voo de regresso: chegar, directo a uma marisqueira! uma gamba, um perceve, um camarão da rocha, uma berbigão... e uma sagres!!! hum... hehehe
Claro que com as mais saudosas companhias...
Poder brindar ao experienciar uma outra "marca" para a vida. Brindar ao moldar formas de estar e ser, independentemente da geografia da felicidade... Brindar ao reagir ao futuro, saborear o presente e guardar o passado!
Ao "Desviar" no sentido que me espera!
Dentro de 2 meses certos, estarei de volta a esse sentido...
22.10.10
joão
De volta desta desventura que busquei viver quase de rajada. Olhando para trás, a oportunidade apareceu. A oportunidade foi agarrada. Mesmo pensando que poderia não acontecer, tentei e consegui. Era um sonho dizem-me! Talvez sim, talvez tenha transmitido essa sensação. Talvez tenha sido a real sensação de me testar, nesta altura da vida (depois de outras alturas, outras vidas), ou talvez a inconsciência dum futuro que não era previsto! Não sei, nem quis saber muito! O processo para aqui chegar foi rápido. As expectativas eram tudo aquilo que se pode criar dentro desse sonho. Vivê-lo é outra coisa. Não descurar o que sou, do que sou feito, o que me complementa, é um exercício, que noutro ambiente (em cada despertar incaracterístico e ao mesmo tempo desafiante), difícil de superar.
É neste domínio de sensações, apenas uma certeza preenche grandes vácuos, a 2 meses de um voo de regresso: chegar, directo a uma marisqueira! uma gamba, um perceve, um camarão da rocha, uma berbigão... e uma sagres!!! hum... hehehe
Claro que com as mais saudosas companhias...
Poder brindar ao experienciar uma outra "marca" para a vida. Brindar ao moldar formas de estar e ser, independentemente da geografia da felicidade... Brindar ao reagir ao futuro, saborear o presente e guardar o passado!
Ao "Desviar" no sentido que me espera!
Dentro de 2 meses certos, estarei de volta a esse sentido...
22.10.10
joão
Depois de ler...
... o último comentário que me escreveram (no post " o 33 do povo chileno"), apetece-me dizer pela boca do meu conterrâneo e inspirador, António Aleixo:
"Após um dia tristonho
de mágoas e agonias
vem outro alegre e risonho:
são assim todos os dias!"
16.10.10
joão
"Após um dia tristonho
de mágoas e agonias
vem outro alegre e risonho:
são assim todos os dias!"
16.10.10
joão
13.10.10 O 33 do povo Chileno

13.10.10 = 33
33 mineiros
33, os dias de perfuração
33, o numero de mineiros mortos até Outubro
33, numero de grande simbologia para algumas religiões
Por coincidência ou não, há dias evocava Pablo Neruda.
Comemorava-se em Moçambique um dia histórico para o seu povo.
Hoje, transcrevo Pablo Neruda (do Facebook da minha amiga Maritza) que o evoca num dia de enorme alegria para o seu querido povo Chileno:
"El cobre ahí dormido. Son los cerros del Norte desolado. Desde arriba las cumbres del cobre, cicatrices hurañas, mantos verdes, cúpulas carcomidas por el ímpetu abrasador del tiempo, cerca de nosotros la mina: la mina es sólo el hombre, no sale de la tierra el mineral, sale el pecho humano......."
Pablo Neruda
Depois de mais uma infelicidade e apreensão, vemos em directo a realidade da garra e força interior do povo Chileno!
Decidi hoje (às contas de um dia bem chuvoso e triste) ficar em casa trabalhando ao computador... ou melhor, tentando!! a tv ligada na Rtp internacional, Tvi 24 e Cnn internacional e há horas que absorve-se sentimentos e emoções em cascata, do outro lado do mundo... ver o resgate dos mineiros no Chile tem sido mesmo desconcertante...
É assim, mais um dia que tinha que me calhar... onde as emoções não vêm de uma tv mas de uma tela gigante... mais que 3D, muitas dimensões estão presentes quando estamos sozinhos... hoje, ver isto, aqui de longe de lá e longe daí, faz pensar a maior velocidade...
Aqui fica um sentimento de insignificante homenagem...
"Homens temporariamente sós...
Não interessam retratos de solidão interior,
Não há qualquer tragédia, mas um vinho a beber ...
Partidas, regressos, conquistas a fazer,
Tudo anotado numa memória que quer esquecer..."
Grupo Novo Rock
http://www.youtube.com/watch?v=I2xa2kRI-YY
13.10.10
joão
4 de Outubro de 2010, Moçambique
Hoje é feriado em Moçambique!
Dia comemorativo do 4 de Outubro de 1992, data da assinatura do Acordo Geral de Paz, em Roma, entre a Frelimo e a Renamo, pondo fim a 16 anos de uma guerra que devastou a economia nacional e teve consequências trágicas para a população.
Não querendo tecer comentários ou considerações sobre o assunto, até porque nem estava com estado de espírito para isso, nem saí à rua neste dia... apenas recordar algo que me enviaram por email (sem palavras, mas com o propósito de quem não me estranha!) há uns tempos e, que eu vou revendo nos tempos menos transparentes destes tempos por terras de África. E hoje, foi um deles!
Homenagem ou não...cada um desenvolverá o seu sentido:
"Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!»
Pablo Neruda
Eu diria mais: Morre lentamente quem não desviaja (de quando em vez)!
joão 04.10.10
Dia comemorativo do 4 de Outubro de 1992, data da assinatura do Acordo Geral de Paz, em Roma, entre a Frelimo e a Renamo, pondo fim a 16 anos de uma guerra que devastou a economia nacional e teve consequências trágicas para a população.
Não querendo tecer comentários ou considerações sobre o assunto, até porque nem estava com estado de espírito para isso, nem saí à rua neste dia... apenas recordar algo que me enviaram por email (sem palavras, mas com o propósito de quem não me estranha!) há uns tempos e, que eu vou revendo nos tempos menos transparentes destes tempos por terras de África. E hoje, foi um deles!
Homenagem ou não...cada um desenvolverá o seu sentido:
"Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!»
Pablo Neruda
Eu diria mais: Morre lentamente quem não desviaja (de quando em vez)!
joão 04.10.10
O Kruger caça-nos!
Queria ter escrito sobre a 1ª - que sempre é única - experiência de descobrirmo-nos perante essa descoberta! O Kruger é um momento da vida!
Mas decidi escrever após a 2ª que também representa ver essa mesma sensação espelhada na cara de outra pessoa…
O Kruger caça-nos! À entrada, já estamos noutro mundo! Muitas vezes só nós e a ansiedade de deambular por terras não reais… Muitas vezes pensa-se se não estaremos num filme, apetece beliscarmo-nos, não falar, não deixar que emoções infantis tomem conta da nossa postura. O facto é que há uma aura de criança na brincadeira de uma vida, em busca da próxima visão, da próxima emoção! Gritos e silêncios, gargalhadas e suspiros, respirações retidas e corações acelerados revelam o encontro entre um novo habitat e um outro eu… por momentos, fazemos parte dos nossos sonhos mais distantes!
Esfregam-se os olhos para melhor focar uma visão atordoada pelas emoções… As árvores, os cursos de água, as montanhas, as rochas e os animais, em perfeita sintonia.
Muitas vezes esquecemo-nos de registar com o nosso cérebro para registar através de uma lente “fotográfica”. E, por muito que se insista, uma fotografia não regista um momento. Não há imagens em papel ou ecrã de computador, não há palavras… É um momento de cada um! Não, são muitos momentos de cada um: Ver a cópula de um casal de leões, ou as crias brincando, ou 2 girafas namorando, ou uma mãe elefante ralhando com um filho, ou centenas de búfalos à nossa volta, ou um leopardo,em cima de uma árvore, degustando uma impala acabada de caçar, ou pássaros com cores quase “trabalhadas em fotoshop”, ou o voo hipnotizante de uma águia pesqueira, ou o "spa particular" de um grupo de hipopótamos, ou o calmo pastar de rinocerontes ou a sua frenética corrida, ou o olhar "burro" de uma zebra, ou o frente a frente de um "imperial" kudo (simbolo do Kruger), ou simplesmente um perder de vista de paisagem africana… E, num nascer ou pôr do sol, na sinfonia mais acústica jamais ouvida e numa tela de cores jamais pintada, o balão das emoções enche, enche… até esvaziar no final do dia, no final da viagem, no final dessa realidade momentânea, que seguramente, não é mesmo um sonho… e aí respira-se vida!
joão 02.10.10
Mas decidi escrever após a 2ª que também representa ver essa mesma sensação espelhada na cara de outra pessoa…
O Kruger caça-nos! À entrada, já estamos noutro mundo! Muitas vezes só nós e a ansiedade de deambular por terras não reais… Muitas vezes pensa-se se não estaremos num filme, apetece beliscarmo-nos, não falar, não deixar que emoções infantis tomem conta da nossa postura. O facto é que há uma aura de criança na brincadeira de uma vida, em busca da próxima visão, da próxima emoção! Gritos e silêncios, gargalhadas e suspiros, respirações retidas e corações acelerados revelam o encontro entre um novo habitat e um outro eu… por momentos, fazemos parte dos nossos sonhos mais distantes!
Esfregam-se os olhos para melhor focar uma visão atordoada pelas emoções… As árvores, os cursos de água, as montanhas, as rochas e os animais, em perfeita sintonia.
Muitas vezes esquecemo-nos de registar com o nosso cérebro para registar através de uma lente “fotográfica”. E, por muito que se insista, uma fotografia não regista um momento. Não há imagens em papel ou ecrã de computador, não há palavras… É um momento de cada um! Não, são muitos momentos de cada um: Ver a cópula de um casal de leões, ou as crias brincando, ou 2 girafas namorando, ou uma mãe elefante ralhando com um filho, ou centenas de búfalos à nossa volta, ou um leopardo,em cima de uma árvore, degustando uma impala acabada de caçar, ou pássaros com cores quase “trabalhadas em fotoshop”, ou o voo hipnotizante de uma águia pesqueira, ou o "spa particular" de um grupo de hipopótamos, ou o calmo pastar de rinocerontes ou a sua frenética corrida, ou o olhar "burro" de uma zebra, ou o frente a frente de um "imperial" kudo (simbolo do Kruger), ou simplesmente um perder de vista de paisagem africana… E, num nascer ou pôr do sol, na sinfonia mais acústica jamais ouvida e numa tela de cores jamais pintada, o balão das emoções enche, enche… até esvaziar no final do dia, no final da viagem, no final dessa realidade momentânea, que seguramente, não é mesmo um sonho… e aí respira-se vida!
joão 02.10.10
18!
Um numero de um mundo diferente, que vai passando bem de mansinho, perante a força dos momentos (passados juntos) de 2 pessoas que, novamente, se reencontram no desconhecido (desta vez geográfico).
Há tempos, muitos, que não me lembro de ter a permanente consciência de querer e fazer por aproveitar todos os momentos… espreme-los bem espremidinhos e beber esse néctar de vivências únicas. Creio que estou a viver um momento tão único quanto passageiro, nestes 6 meses por terras de África e, ter a oportunidade de desfrutá-lo e partilhá-lo, por alguns momentos, com a nossa companheira, permite-nos conhecer ou talvez, nos reconhecer melhor. Somos moldáveis pelo tempo, pelos que estão à nossa volta e pelos momentos em que eles fazem parte, moldando assim também os caminhos que esses momentos nos levam a percorrer… pelo que vivências unicamente a 2, tão longe de casa, tão longe dos nossos aconchegos, hábitos, referências, seguranças e vícios... tão longe de nós (e daí, talvez não!), são-no de um sonho querendo ser realidade.
E que realidade é essa, sonhada mas com força de sê-la?
Apenas protelar estes momentos, ao que chamamos de dia a dia... momento a momento!
joão 29.09.10
Há tempos, muitos, que não me lembro de ter a permanente consciência de querer e fazer por aproveitar todos os momentos… espreme-los bem espremidinhos e beber esse néctar de vivências únicas. Creio que estou a viver um momento tão único quanto passageiro, nestes 6 meses por terras de África e, ter a oportunidade de desfrutá-lo e partilhá-lo, por alguns momentos, com a nossa companheira, permite-nos conhecer ou talvez, nos reconhecer melhor. Somos moldáveis pelo tempo, pelos que estão à nossa volta e pelos momentos em que eles fazem parte, moldando assim também os caminhos que esses momentos nos levam a percorrer… pelo que vivências unicamente a 2, tão longe de casa, tão longe dos nossos aconchegos, hábitos, referências, seguranças e vícios... tão longe de nós (e daí, talvez não!), são-no de um sonho querendo ser realidade.
E que realidade é essa, sonhada mas com força de sê-la?
Apenas protelar estes momentos, ao que chamamos de dia a dia... momento a momento!
joão 29.09.10
Workshop em Higiene e Saude
Depois de uns momentos mais complicados, aqui fica uma prova de coisas boas, que também fazem parte da realidade dos mais desfavorecidos, por cá...
Este foi um workshop que organizamos numa Ong local (ou talvez não!!)com participação de um missionário brasileiro que percorre Moçambique com dicas de uma boa higiene e saúde.
Lição para todos, em África ou nas Europas!!
Isto é sério!! hehehe
cumprimentos higiénicos,
João
Este foi um workshop que organizamos numa Ong local (ou talvez não!!)com participação de um missionário brasileiro que percorre Moçambique com dicas de uma boa higiene e saúde.
Lição para todos, em África ou nas Europas!!
Isto é sério!! hehehe
cumprimentos higiénicos,
João
Maputo, um outro acordar... ou "queres conhecer África com emoção ou sem emoção?"



Final de Agosto! Passou este mês que, aí pelos nossos Algarves, cada um deve ter uma remessa de histórias das férias para contar… E eu, imaginando elas, vendo bem, ainda não tinha escrito qualquer post este mês! Porque será? Será que já não me surpreendem da mesma maneira os funcionamentos das gentes? Será que eu próprio já vou entrando neste ritmo? Será que, depois da admiração refriam-se os ânimos? E, daí, talvez não, pois pensando bem, houve uma ida ao Kruger (a1ª, que fica sempre marcada), também fiz parte da aventura da organização do 1ª Festival de artes de Maputo – Festival Tunduro, e ainda houve uma visita guiada ao bairro da Mafalala (bairro de lata, berço de muitos ideais da nação Moçambicana, enquanto país independente e onde Eusébio nasceu)
Mas estas histórias ficaram para outros posts.
Por aqui andava eu, pensado com os meus botões que não tinha sido um mês para partilhar muito… eis senão que… o mês de Setembro inicia-se da forma que nem nos sonhos se espera….
Dia 1 de Setembro de 2010, Maputo acorda em Greve geral, revolta popular, barricadas nas entradas da cidade, forças armadas patrulham as ruas, escolas fechadas, transportes públicos parados, aeroporto fechado/ isolado, apelos à permanência em casa, pilhagens e confrontos com pedras, garrafas, pneus queimados... ultima hora - 2 mortos e alguns feridos... ainda não confirmados!
Uau!! Isto está mesmo a acontecer aqui, onde eu estou? Quando eu estou? Tento me situar, penso no que se pensará em Portugal. Penso na melhor forma de perceber o que está a acontecer, pois as noticias são contraditórias: Greve convocada por sms; grupos marginais que se aproveitam para criar tumultos; barricadas organizadas nos acessos a Maputo; policia ripostando com balas de borracha e verdadeiras; o comércio não abre por falta de trabalhadores; as escolas fecham por medo; os bancos fecham por segurança; os jornalistas procuram o melhor anglo e as imagens mais marcantes são repetidas nos noticiários até à exaustão! O que pensarão em Portugal? Qual a melhor forma de filtrar tanta desinformação e sugeri-los a fazer o mesmo? É claro que as imagens não enganam, mas tenho que os fazer perceber como geograficamente as coisas se passam, ainda numa zona ainda afastada do centro de Maputo onde me encontro. A periferia está a ferro e fogo, dizem alguns órgãos de comunicação social, e o centro está calmo, tranquilo, como se de um Domingo fosse!
Começo a sonhar…pegar na máquina fotográfica e sair à rua! Registar este momento que se vai colar à História, curta mas já bem preenchida de histórias menos felizes, desde país de gente pacífica e afável.
Como qualquer coisa de herói ou louco, todos temos um pouco, o que me safou foi estar com uma gripalhada daquelas há 2 dias, que não me dava nem para mexer quanto mais me armar em repórter de guerra… e fiquei-me pelos sonhos!
Assim peguei numa arma caseira, o comando da televisão e criei um zapping mortífero às notícias, aos comentários e às análises do que se ia passando nas ruas. Registava desta outra forma os acontecimentos e a falta deles, pois a reacção esperada da comunidade governante… pariu um rato.
O tempo dirá se valeria a pena outra reacção, outros discursos, outras formas de discursar, outros meios para discursar (caramba, a população mais carenciada, desses bairros periféricos nem televisão tem e, mesmo que tenham, estavam na rua!) Um discurso na televisão é uma arma influenciadora de consciências na Europa, mas aqui, onde o púbico alvo, na sua maior parte, não tem televisão? Não teria mais impacto libertar o pescoço da gravata, arregaçar as mangas da camisa e discursar numa praça, pela calma e prometer que estão com eles, ali mesmo, com eles, prometer o foco de preocupação governamental nas suas necessidades primárias? Não sei, mas por aqui, houve-se falar que a próxima manifestação será precisamente à porta da casa do Pr. Guebuza e, reforça-se - precisamente porque os discursos governamentais não satisfizeram ninguém!
O tempo dirá se este presente fará parte do passado ou do futuro!
Escrevo estas linhas 3 dias depois desse 1 de Setembro, data que também ficou para a história como o início da 2ª Guerra Mundial (1 de Setembro de 1939 – Invasão da Polónia pelas tropas Nazis). Com as devidas distancias (nas datas e nos acontecimentos) bem vincadas, apenas a triste coincidência, de mais um marco triste na história de todos nós. 3 dias depois, consegue-se começar a andar pela cidade, começar a comprar mercearias, gasolina, pão, levantar dinheiro e beber um café! O pensamento agora é o que estará para vir? Nada será o mesmo? Não creio que povo e governantes entendam-no como um infeliz acontecimento… outro, pois em 2 de Fevereiro de 2008, aconteceu a mesma revolta contra a subida de preços dos bens de primeira necessidade. E estes sinais não são de ignorar porque são mais do que sinais! São sinais gravados nas nossas memórias, com sangue! E os que nada têm a perder, têm a memória tão cheia, tão ocupada de outras memórias diárias, de anos e anos, gravadas a preto e branco, memórias sem cor, tão sem alegria e sem sentimento, que já não têm memória! Para eles, os actos destes dias são a única forma de fazer valer essa memória que se apaga de um dia para o outro, para quando voltar, voltar a ser igual! Por isso, estes acontecimentos vividos por cada um, à sua maneira, não têm espaço, não têm tempo! Mas, nalguns vai residir a sua memória, e serão nesses que a esperança de melhores dias, recai.
“2º dia de tumultos... igual a ontem... (segundo os sms que correm, vai durar até amanhã) entradas e saídas bloqueadas, transportes, escolas e comercio parados, policia por todo o lado... o centro continua calmo, fantasmagoricamente calmo... eu continuo, pacatamente, a recuperar da gripalhada... bjs e abraços, joão” escrevia eu no facebook para reforçar mensagem de tranquilidade.
Todavia, parece que já todos levam a coisa à séria. Poucos se aventuram na tentativa de chegar ao centro para trabalhar. A única hipótese é a pé e para além de demorada, bem arriscada! O centro de Maputo continua no seu 2º domingo consecutivo!
Dou comigo a olhar para o frigorifico e a pensar: caramba, que bela altura para estares doente em casa há 3 dias!!
Então, lanço-me na epopeia de conseguir levantar dinheiro, comer uma piza num restaurante aqui perto, comprar mercearias, comprar credito para o telele e ir ao talho, prevenindo-me para amanhã e fds.
Resumindo, não consegui fazer nada (tirando comprar carne- uns heróis ou loucos no talho!) a não ser vaguear pelas ruas à volta de casa.
De resto e, para marcar mais um paradoxo nesta capital, um dos melhores restaurantes da cidade (seguramente um dos mais caros), estava repleto de gente degustando, conversando e apreciando um bom vinho, como um dia qualquer fosse... para eles domingo não era porque o dito fecha precisamente ao domingo... hehe
São e salvo de regresso a casa, de novo assiste-se a um rol de notícias e sem notícias, que, novamente me fazem pensar no que estarão a pensar os que, afastados me estão próximos! Dou-lhes um exemplo para se perceber o quão é necessário filtrar e não alarmar ao primeiro impulso: Um repórter da RTP, noticiava, no meio dos tumultos, algo que nada tinha a ver com a situação! Mas é paradigmático desta ideia que tento transmitir – “Ontem, no Xai Xai caíram 2 pontes!! – Não interessa porquê nem como! A questão aqui é que no Xai Xai só há 1 ponte!! (então a queda de 1 ponte já não deve ser noticia, pelo que se dá um pouco mais de intensidade á coisa e noticia-se que caíram 2 pontes, que deve atrair muito mais atenção!) Que dizer?
Voltando à realidade, naturalmente que os emails e telefonemas com perguntas e preocupações, sugestões e conselhos, são reconfortantes, por um lado, mas a necessidade de ser eu a reconfortá-los é ainda maior.
O que quero dizer é que não sendo inconsciente ao que se passa em meu redor, também é necessário alguma frieza por um lado e acreditar no melhor, por outro. E tentar transmitir com a suavidade possível essa consciência.
Claro que as vossas dúvidas são as minhas dúvidas (mas dúvidas vividas e não empoladas por comunicação social meio ausente) e deito-me com elas!
Acordo com a questão – será o 3º dia de revolta ou, com o fds à porta o pensamento se vire para afogar a realidade em cervejas e dança?
Por mim, continuarei a minha opção de registo, desta feita já na rua, nas ruas, nas pracetas, nos cafés, onde os verdadeiros analistas estão.
O dia acordou com tendência de regresso à normalidade. Aos poucos! Alguns machimbombos funcionam, alguns cafés abriram, alguns vendedores estão na rua, algumas padarias recebem filas intermináveis de desesperados. Algumas histórias correm de boca em boca… E é neste meio, que as contradições e paradoxos voltam… Talvez sejam o maior indício da normalidade que se avizinha. Um exemplo: Houve quem fizesse a pé 2 e 3 horas de caminho para trabalhar, levantando-se às 5 da manhã. Mas também houve quem apanhasse o transporte possível para chegar à fábrica e aproveitar o chá e o pão da manhã, que é servido diariamente na cantina e, de seguida fosse embora para casa (ou não).
Tem a sua beleza, não?
E amanhã é sábado! Para que servirá o fds? Que influência terá toda a vivência do 1º fds semana a seguir ao sucedido? É que 2ª feira é véspera de feriado mas também é dia de subida do preço do pão!!
Mais uma vez, caramba, quem se lembra de subir os preços dos bens essenciais, todos no espaço de uma semana?
Que população não se manifesta? Que voz não se levanta? Pergunto eu!
Que efeito terá? Perguntam eles!! E todos eles seguramente têm presentes o ditado popular: "Na democracia podemos dizer o que queremos, mas ninguém liga àquilo que a gente diz!"
joão 04.09.10
Verdades e consequências... ou “nunca mais me queixo numa repartição de finanças em Portugal”
Estou há uma semana à espera que me liguem da migração. Ligavam logo no mesmo dia! Dito pela directora da migração.
Ok. Deixem-me explicar recuando uma semana!
Esta foi a segunda ida em dias consecutivos à migração.
No 1º dia ia preparado para pedir o visto de residência precária por 12 meses porque, na 1ª reunião, à minha chegada, todos os decisores do projecto em Moçambique, acharam que era mais fácil e melhor. A ideia partiu da pessoa que depois assina uma carta de pedido de 6 meses!! Agora, depois de preencher toda a papelada na migração, a assistente entrega a carta do Ministério do turismo com pedido de 6 meses! O quê? Se foi ela que insistiu para 12 meses? Confusão e confusão após, voltamos ao Ministério do Turismo para participar do ocorrido, pelo que ficou pedido por 6 meses.
Um dos decisores ficou atordoado, que não podia ser! e enfia-se no gabinete de quem assinou o pedido por 6 meses… discussão puxa discussão, veio passados largos 20’ com a explicação de que… não percebi! Mas que ele ia resolver porque ia ligar já de seguida, para a directora da migração que era amiga da sua mulher! Boa, pensei eu… No dia seguinte, lá fomos novamente, mas desta pela porta grande! A directora, soube quem era a rapariga que me acompanhava, e como era sua sobrinha por afinidade e tinha um bébé há pouco tempo, quis saber como estavam na família! Boa, pensei eu… e a seguir aqui vai o pedido para 12 meses que o sr. decisor ontem ligou a comentar… Não, ninguém ligou! Mas ele disse que sim, como era amiga da sua mulher. Não, sou amiga da sua ex-mulher! Ok, e o que faço com isto? Deixe ver… dê-me o seu contacto, vamos procurar o processo e ligamos ainda hoje! Já tinha dito isto? Pois, já passou uma semana…
Ninguém, ninguém aqui decide nada! É o que me apetece dizer! A minha teoria é que assim não se comprometem! Tomar decisões, dizer como as coisas são, dizer verdades implica consequências e não se quer ser responsável por algo que pode dar mal… assim, adia-se, diz-se e desdiz-se e a palavra esqueci-me, tão utilizada é uma naturalidade que não tem consequências tão graves como tomar uma decisão que possa vir a ser errada! Melhor, não tem consequências nenhumas... porque se se esquece é porque está cheio de trabalho... o que o torna compreensivel! heheh
E, chegas ao fim do dia e não sabes com quem falar, quem é responsável, onde está o documento… Mas como o outro no cartaz de chegada ao lodge de Titi gala diz: o que está mal resolve-se a bem! Por outros caminhos mas há-de se resolver…
Tem a sua piada não tem? E o que dizer da epopeia de conseguir um computador para trabalhar, que dura a semana toda?
2ª feira fez-se o pedido pela 2ª ou 3ª vez… nada
3ª feira veio o hardware (o caixote)… Ok, e agora o ecrã? Ah, pois! Pode ser esse ali que agora não estou a utilizar. Obrigado, e o teclado? Eh pá, esqueceram-se!! Eu vou ver… depois de um bocado (eu já com o meu computador de viagem ligado, outra vez – quem não tem cão caça com gato), aparece um teclado mais empoeirado que a picada a caminho do Limpopo! Ok, gracias mas agora falta o rato!! Há isso só mesmo amanhã quando ligar outra vez para a rapariga, secretária de um decisor, que entretanto já saiu.
Mas, olhe peça também os cabos para ligar á electricidade senão não serve para nada.
5ª feira… nada. Pode-se ligar à secretária outra vez? Desta vez diz-se à secretária que há uma pessoa vinda de longe, Portugal, parada á espera que ela se mexa… Está parado há 4 dias, diz-se para criar mais impacto e tensão na coisa! Obrigado, até amanhã! Se calhar esta noite faço uma reza… Minhas belas amigas das finanças de Faro!!
joao 30.07.2010
Ok. Deixem-me explicar recuando uma semana!
Esta foi a segunda ida em dias consecutivos à migração.
No 1º dia ia preparado para pedir o visto de residência precária por 12 meses porque, na 1ª reunião, à minha chegada, todos os decisores do projecto em Moçambique, acharam que era mais fácil e melhor. A ideia partiu da pessoa que depois assina uma carta de pedido de 6 meses!! Agora, depois de preencher toda a papelada na migração, a assistente entrega a carta do Ministério do turismo com pedido de 6 meses! O quê? Se foi ela que insistiu para 12 meses? Confusão e confusão após, voltamos ao Ministério do Turismo para participar do ocorrido, pelo que ficou pedido por 6 meses.
Um dos decisores ficou atordoado, que não podia ser! e enfia-se no gabinete de quem assinou o pedido por 6 meses… discussão puxa discussão, veio passados largos 20’ com a explicação de que… não percebi! Mas que ele ia resolver porque ia ligar já de seguida, para a directora da migração que era amiga da sua mulher! Boa, pensei eu… No dia seguinte, lá fomos novamente, mas desta pela porta grande! A directora, soube quem era a rapariga que me acompanhava, e como era sua sobrinha por afinidade e tinha um bébé há pouco tempo, quis saber como estavam na família! Boa, pensei eu… e a seguir aqui vai o pedido para 12 meses que o sr. decisor ontem ligou a comentar… Não, ninguém ligou! Mas ele disse que sim, como era amiga da sua mulher. Não, sou amiga da sua ex-mulher! Ok, e o que faço com isto? Deixe ver… dê-me o seu contacto, vamos procurar o processo e ligamos ainda hoje! Já tinha dito isto? Pois, já passou uma semana…
Ninguém, ninguém aqui decide nada! É o que me apetece dizer! A minha teoria é que assim não se comprometem! Tomar decisões, dizer como as coisas são, dizer verdades implica consequências e não se quer ser responsável por algo que pode dar mal… assim, adia-se, diz-se e desdiz-se e a palavra esqueci-me, tão utilizada é uma naturalidade que não tem consequências tão graves como tomar uma decisão que possa vir a ser errada! Melhor, não tem consequências nenhumas... porque se se esquece é porque está cheio de trabalho... o que o torna compreensivel! heheh
E, chegas ao fim do dia e não sabes com quem falar, quem é responsável, onde está o documento… Mas como o outro no cartaz de chegada ao lodge de Titi gala diz: o que está mal resolve-se a bem! Por outros caminhos mas há-de se resolver…
Tem a sua piada não tem? E o que dizer da epopeia de conseguir um computador para trabalhar, que dura a semana toda?
2ª feira fez-se o pedido pela 2ª ou 3ª vez… nada
3ª feira veio o hardware (o caixote)… Ok, e agora o ecrã? Ah, pois! Pode ser esse ali que agora não estou a utilizar. Obrigado, e o teclado? Eh pá, esqueceram-se!! Eu vou ver… depois de um bocado (eu já com o meu computador de viagem ligado, outra vez – quem não tem cão caça com gato), aparece um teclado mais empoeirado que a picada a caminho do Limpopo! Ok, gracias mas agora falta o rato!! Há isso só mesmo amanhã quando ligar outra vez para a rapariga, secretária de um decisor, que entretanto já saiu.
Mas, olhe peça também os cabos para ligar á electricidade senão não serve para nada.
5ª feira… nada. Pode-se ligar à secretária outra vez? Desta vez diz-se à secretária que há uma pessoa vinda de longe, Portugal, parada á espera que ela se mexa… Está parado há 4 dias, diz-se para criar mais impacto e tensão na coisa! Obrigado, até amanhã! Se calhar esta noite faço uma reza… Minhas belas amigas das finanças de Faro!!
joao 30.07.2010
Paradoxos e contradições
Entre a viagem que terminou faz dias e os dias que sucederam, há várias reflexões que ficaram por fazer.
Fui ao teatro (ainda faz parte do fds coltural) A sala Teatro Gilberto Mendes??? anunciava no cartaz a peça Casa 2!?!
A fila para a bilheteira deixava imaginar que iria ter boa assistência. Engano, está sempre cheio! Estão sempre cheios! E para provar isso, enquanto comprava bilhete escoava a sessão anterior.
Mas o melhor estava para vir, éramos os únicos brancos dentro da sala! Percebemos porquê logo após o começo… a peça retratava a vida quotidiana de uma família de Maputo e todos os problemas que envolve a sociedade actual: drogas, roubos, traições, artimanhas para fazer dinheiro fácil (ou difícil), pseudo-religiões, homossexualidade e travestismo, preservativos ( jeito – a marca que mais publicidade faz), velhice, estudos ou faltas deles, e principalmente a poligamia masculina e feminina…
A Casa 2 é o nome que se dá a casa da amante (quando se tem só 2 mulheres… porque nas comunidades onde ande,i conheci um Sr. Com 5 mulheres!! Eu perguntei-lhe como é que faz isso se para aturar uma já é complicado! Eh eh). E na casa 2 tudo tem de ser igual à casa1: A cor das paredes, a mobília, as decorações… para, como se diz na peça, quando o homem estiver na casa 2 se sentir como na casa 1 e quando estiver na casa 1 se sentir como na casa 2!! E há mais, a mulher quando descobre, tem de chamar mana à outra!! E é se quer!! E a partir daí o homem compra todas as roupas e adereços a dobrar, para não haver discussões!! Para resumir, a peça, como é divertida e didáctica termina quando o homem descobre que também ele era a casa 2 da amante!!
Voltando à comunidade de Titi Gala, o homem que tinha 5 mulheres, ainda gabava-se de ter uma secretária! Era o líder da comunidade dos pescadores (há lideres para tudo! Comunidade, Associação de pescadores e, até da comissão de gestão do lodge comunitário). Vocês estão a ver a associação de pecadores, comunidade de palhotas à beira da albufeira, sem poder pescar, pois o peixe, no inverno vive mais no fundo e não se deixa apanhar - mostraram-me um contentor velho onde dentro têm uma arca frigorifica ligada a gerador fornecido pelo lodge comunitário, mas sem peixe! Mas têm secretária!! Que deve tratar dos assuntos do peixe que…agora não há!
Mas há galinhas, porcos, que são criados com o apoio das formações dadas pela Ong local, bem como na implantação das culturas de ananases e reforma da apicultura local.
Por isso, quando se passa numa picada e se vê uma saca de sementes abandonada a 1ª expressão do nosso colega é de que “aquilo tem dono e ninguém toca! Algo que nunca acontecia em Maputo!” Onde ao final da tarde, dezenas de figurantes desta cidade, vasculham os caixotes do lixo na mesma peça que todos os dias está em cena nas suas vidas!
E é com esse líder que eu assisto a um a reunião (assisto mas não percebo nada pois falam em Changane - língua do sul) de consulta para encontrar uma costureira na comunidade para entregar uma máquina de costura para fazer a manutenção dos tecidos, roupas e fardamentos dos empregados do lodge comunitário. Aqui, ao contrário da grande cidade, a palavra comunidade é exemplo de que o que um faz, toca directa ou indirectamente no outro. E por isso, aqui na comunidade o papel e perfil de um líder são conotados com quem toma decisões e responsabilidades (não as passa, não as delega, toma-as e é respeitado por isso!)
joao 25.07.01
Fui ao teatro (ainda faz parte do fds coltural) A sala Teatro Gilberto Mendes??? anunciava no cartaz a peça Casa 2!?!
A fila para a bilheteira deixava imaginar que iria ter boa assistência. Engano, está sempre cheio! Estão sempre cheios! E para provar isso, enquanto comprava bilhete escoava a sessão anterior.
Mas o melhor estava para vir, éramos os únicos brancos dentro da sala! Percebemos porquê logo após o começo… a peça retratava a vida quotidiana de uma família de Maputo e todos os problemas que envolve a sociedade actual: drogas, roubos, traições, artimanhas para fazer dinheiro fácil (ou difícil), pseudo-religiões, homossexualidade e travestismo, preservativos ( jeito – a marca que mais publicidade faz), velhice, estudos ou faltas deles, e principalmente a poligamia masculina e feminina…
A Casa 2 é o nome que se dá a casa da amante (quando se tem só 2 mulheres… porque nas comunidades onde ande,i conheci um Sr. Com 5 mulheres!! Eu perguntei-lhe como é que faz isso se para aturar uma já é complicado! Eh eh). E na casa 2 tudo tem de ser igual à casa1: A cor das paredes, a mobília, as decorações… para, como se diz na peça, quando o homem estiver na casa 2 se sentir como na casa 1 e quando estiver na casa 1 se sentir como na casa 2!! E há mais, a mulher quando descobre, tem de chamar mana à outra!! E é se quer!! E a partir daí o homem compra todas as roupas e adereços a dobrar, para não haver discussões!! Para resumir, a peça, como é divertida e didáctica termina quando o homem descobre que também ele era a casa 2 da amante!!
Voltando à comunidade de Titi Gala, o homem que tinha 5 mulheres, ainda gabava-se de ter uma secretária! Era o líder da comunidade dos pescadores (há lideres para tudo! Comunidade, Associação de pescadores e, até da comissão de gestão do lodge comunitário). Vocês estão a ver a associação de pecadores, comunidade de palhotas à beira da albufeira, sem poder pescar, pois o peixe, no inverno vive mais no fundo e não se deixa apanhar - mostraram-me um contentor velho onde dentro têm uma arca frigorifica ligada a gerador fornecido pelo lodge comunitário, mas sem peixe! Mas têm secretária!! Que deve tratar dos assuntos do peixe que…agora não há!
Mas há galinhas, porcos, que são criados com o apoio das formações dadas pela Ong local, bem como na implantação das culturas de ananases e reforma da apicultura local.
Por isso, quando se passa numa picada e se vê uma saca de sementes abandonada a 1ª expressão do nosso colega é de que “aquilo tem dono e ninguém toca! Algo que nunca acontecia em Maputo!” Onde ao final da tarde, dezenas de figurantes desta cidade, vasculham os caixotes do lixo na mesma peça que todos os dias está em cena nas suas vidas!
E é com esse líder que eu assisto a um a reunião (assisto mas não percebo nada pois falam em Changane - língua do sul) de consulta para encontrar uma costureira na comunidade para entregar uma máquina de costura para fazer a manutenção dos tecidos, roupas e fardamentos dos empregados do lodge comunitário. Aqui, ao contrário da grande cidade, a palavra comunidade é exemplo de que o que um faz, toca directa ou indirectamente no outro. E por isso, aqui na comunidade o papel e perfil de um líder são conotados com quem toma decisões e responsabilidades (não as passa, não as delega, toma-as e é respeitado por isso!)
joao 25.07.01
Maputo, agora muito coltural
Que dia!! Ainda tento digerir o que se passou ontem… e tenho a certeza que não chegarei a certezas nenhumas… A ressaca (não de copos) de olhar para trás e perceber o que vi, senti, experimentei ontem, provoca sensações antagónicas…
Maputo no seu esplendor de coisas boas… mas será suficiente para me sentir bem nestes 6 meses? Sem vocês, é muito difícil… Não são 4 paredes que nos fazem sentir em casa… A sensação de pertença a algum lugar são as pessoas que a fazem… e como a família e amigos não há aí ao virar de cada esquina de África…
Depois de mais uma ida à migração, mas desta vez pela porta grande, directamente à directora (que por sua vez é mulher do ministro do turismo), uma reunião com o coordenador do projecto… trocas de opinião e outras conversas deram num convite para a sua casa de campo para um próximo fim-de-semana! Vou ficar à espera…
De seguida uma visita guiada ao mercado do peixe, um “mercado” sui generis: de um lado as bancas com os peixes, peixões e peixinhos, camarões e camarões, caranguejos do tamanho de santolas, amêijoas que parecem caixas de anéis de noivado, e outros bichos… É só escolher e comprar mas atenção que as balanças tem medidas de peso muito especiais… se é que me entendem. Do outro, debaixo de uma arvore centenária e bem frondosa, amontoam-se mesas e cadeiras onde, as gentes locais levam as suas compras acabadas de fazer para serem arranjadas e cozinhadas a pedido!! É só pedir as bebidas e esperar que o que se acabou de comprar venha tudo para o prato! eh eh
Outra coisa engraçada, é que não há ninguém que ao dar sugestões sobre Maputo, não queira indicar uma discoteca!! Não é preciso perguntar nada! Há um guia de discotecas em cada pessoa, seja qual for o estrato social. Hoje falaram-me de uma que tem 3 andares, cada um com o seu estrato social, com o seu ambiente, decoração, musica e naturalmente, preços…
Mas o melhor do dia, estava destinado já há um tempo… Tinha decidido que iria ver no Teatro Gil Vicente (faz lembrar os cine-teatros antigos, desses tempos tão nossos, antes da praga das pipocas!!), o espectáculo organizado pela cooperação internacional Espanhola (temos tanto a aprender com este país aí do lado, em cooperação - peço desculpa, mas é verdade!): Daniel Navarro, fantástico dançarino de Flamenco, com o grupo Moçambicano Timbila Muzimba. Não era preciso a apresentação do chefe da delegação espanhola em Moçambique, para se perceber que o melhor deste mundo são as fusões de culturas… e a Música do Mundo é um expoente máximo desse encanto! Encantado saí eu daquele espaço… um mundo entre 4 paredes! Raças, cores, estratos sociais, géneros vários, pertenças diferentes ou não!! Uma Arca de Noé da raça humana…
E, como explicar o incorporar de 2 ritmos tão fortes e únicos como o Flamengo e a Marrabenta? Fácil, com uma simplicidade tão emotiva, tão humana… O sapateado macho frente a frente com movimentos negros, o rabo espetado encostado a um passe de capote, os ais ciganos imiscuem-se nos gritos tribais, o cajon torna-se africano, e os batuques respondem às palmas gitanas… E o que dizer da danças flamenca e marrabenta, a certa altura serem uma só e não se conseguir diferencia-las?
Adorava que todos estivessem aqui, porque mesmo que este espectáculo se replique por outros palcos aí na Europa (e digo-lhes que teria muito sucesso) a resposta deste público foi única… Não foi só publico a subir ao palco para dançar com os músicos, foram os músicos que desceram para a plateia para dançar com o publico (com Daniel Navaro á cabeça!) Incrível… Um momento único para mim, mas estava estampado nas caras destas gentes, sejam quem forem, que também para eles! À saída, atrás de mim, 2 rapazes desses que vendem qualquer coisa nas ruas (perguntei-lhes o se gostaram) comentavam com esta simplicidade: “Valeu bro! Valeu!
É que o espectáculo foi grátis para todos!!
Atravessando a av. Samora Machel em passo apressado, ainda consegui chegar a tempo ao Instituto Franco-Moçabicano, à vernissage da instalação Mafalala Blues, de uma fotografa moçambicana Camila de Sousa. Trata-se de uma exposição fotográfica da vida do bairro de Mafalala, ao longo dos tempos. (Do bairro falarei brevemente pois quero voltar à exposição numa outra oportunidade mais tranquila e parece que tem muita história para contar!)
Por entre um copo de vinho e uma chamussa saída da panela, sei que o espaço do Instituto Franco Moçambicano, o melhor espaço cultural de Maputo, era para ter sido o espaço do Instituto Camões!! Não o é porquê? Porque os Portugueses se puseram com indecisões e muitas formalidades … Isto dito por Pablo (nome espanhol decidido por cubanos amigos do pai, porque o pai não se decidia com a bebedeira que tinha na noite do seu nascimento), moçambicano e RP do espaço, apesar de dizer que a sua função é conversar com as pessoas.
De seguida, jantar com alguém que não conheço mas que é amigo de amigo… Chegado ao local (que por acaso já tinha lá jantado 2 vezes) encontro-me com uma mesa de 12 pessoas entre portugueses, moçambicanos, sueco, birmanesa, brasileira e chilenos… outro mundo à mesa! Imaginem as conversas…
Final de uma noite cultural como esta não podia ser noutro sitio que não a Rua das Artes!! Uma ruela fechada ao trânsito, por 2 lonas negras enormes, onde uma faz de entrada (150mt) e a outra serve de pano de fundo à cabine do dj. Entre uma e outra lona, são projectadas debaixo da estrelas as várias nacionalidades (embaixadas e consulados representados) ao som das musicas e conversas. Pede-se bebidas nos balcões improvisados e senta-se nos pequenos corners de mesas e bancos de verga… entre gargalhadas, danças e Laurentinas (a outra cerveja moçambicana) olha-se o céu… Cheguei a casa bem disposto… foram bons momentos…
E a minha man’Ana faz hoje 36 anos! Parabéns mana… tudo de bom!
joão 17.07.10
Ok, a história do tubarão
É curta mas merece ser contada! No Dezembro passado aconteceu um ataque de tubarão na Ponta do Ouro. Segundo me dizem, é inevitável isso acontecer de vez em quando, porque há muitos por estas costas. Mais inevitável é, quando algumas almas iluminadas para o negócio nesta praia (recordam-se que lhes contei que era uma estância balnear para muitos sul-africanos boers?) lembram-se de fazer Tours para ver os tubarões em mar alto, onde lançam grandes quantidades de carne para os atrair. Quando essa carne não é lançada, quando, por algum motivo o barco não sai, os tubarões, cada vez mais habituados a tal ritual, atrevem-se para a costa e para as praias!
Foi bem mencionado nas notícias nessa altura! Ataque de tubarão a surfista sul-africano. Arrancou-lhe parte da barriga e ainda duma perna, num segundo ataque. A pessoa em causa não morreu, mas ficou maltratado. Até aqui a história é normal… Mas segundo o Jorge que conheci na Ponta do Ouro, por ali ao lado, nadava um Moçambicano!! A esse não aconteceu nada… porquê?
Agora a teoria: “O Tubarão não atacou o Moçambicano porque não lhe vê!!... Isso mesmo, o tubarão não vê os negros! pensam que é a própria sombra!!” ............………… Estas reticências servem como pausa para pensarem à vontade!
Ora, há muito que se especula sobre a visão do tubarão. Durante muitos anos houve o mito que os tubarões tinham uma visão muito fraca. Investigadores afirmaram essa teoria, ao descobrirem que os tubarões possuem outros sentidos aguçados que lhes permitem detectar até mesmo pequenas quantidades de corrente eléctrica ou vibrações (electroreception) e mudanças químicas na água (quimiorecepção). Estes sentidos são tão refinados que, foi assumido que eram usados para compensar a fraca visão dos tubarões. Contudo, outras investigações vieram provar que o olho do tubarão tem uma estrutura semelhante ao olho de outros vertebrados, pelo que o seu uso não é de todo diferente ao do humano. Para além disso o olho do tubarão é equipado com uma camada de cristais minúsculos, localizada atrás da retina, que proporciona a capacidade de detectar pequenas quantidades de luz, reflectindo para a retina, aumentando assim a sua acuidade visual. Isto permite ao tubarão a capacidade de ver em águas escuras ou turvas, e ver até 10 vezes melhor que o olho humano em águas limpas.
in http://www.sharksavers.org/en/education/shark-myths/424-myth-sharks-have-poor-vision.html
E, mais tarde em pleno 2010, temos nova teoria! O olho do tubarão não percepciona a pele escura humana, confundindo-a coma a sua própria sombra.
Mas a pergunta mantém-se:
Então porque o tubarão atacou o surfista branco e não o moçambicano negro?
Será pelo cheiro? Sentiu-se atraído pelo Old Spice do surfista boer?
joão
Foi bem mencionado nas notícias nessa altura! Ataque de tubarão a surfista sul-africano. Arrancou-lhe parte da barriga e ainda duma perna, num segundo ataque. A pessoa em causa não morreu, mas ficou maltratado. Até aqui a história é normal… Mas segundo o Jorge que conheci na Ponta do Ouro, por ali ao lado, nadava um Moçambicano!! A esse não aconteceu nada… porquê?
Agora a teoria: “O Tubarão não atacou o Moçambicano porque não lhe vê!!... Isso mesmo, o tubarão não vê os negros! pensam que é a própria sombra!!” ............………… Estas reticências servem como pausa para pensarem à vontade!
Ora, há muito que se especula sobre a visão do tubarão. Durante muitos anos houve o mito que os tubarões tinham uma visão muito fraca. Investigadores afirmaram essa teoria, ao descobrirem que os tubarões possuem outros sentidos aguçados que lhes permitem detectar até mesmo pequenas quantidades de corrente eléctrica ou vibrações (electroreception) e mudanças químicas na água (quimiorecepção). Estes sentidos são tão refinados que, foi assumido que eram usados para compensar a fraca visão dos tubarões. Contudo, outras investigações vieram provar que o olho do tubarão tem uma estrutura semelhante ao olho de outros vertebrados, pelo que o seu uso não é de todo diferente ao do humano. Para além disso o olho do tubarão é equipado com uma camada de cristais minúsculos, localizada atrás da retina, que proporciona a capacidade de detectar pequenas quantidades de luz, reflectindo para a retina, aumentando assim a sua acuidade visual. Isto permite ao tubarão a capacidade de ver em águas escuras ou turvas, e ver até 10 vezes melhor que o olho humano em águas limpas.
in http://www.sharksavers.org/en/education/shark-myths/424-myth-sharks-have-poor-vision.html
E, mais tarde em pleno 2010, temos nova teoria! O olho do tubarão não percepciona a pele escura humana, confundindo-a coma a sua própria sombra.
Mas a pergunta mantém-se:
Então porque o tubarão atacou o surfista branco e não o moçambicano negro?
Será pelo cheiro? Sentiu-se atraído pelo Old Spice do surfista boer?
joão
Parque Nacional do Limpopo (um Kruger mais modesto…)
Segunda semana por terras de África e segunda viagem… desta vez um pouco mais além! Mas para noroeste de Maputo. Direcção, Parque Nacional do Limpopo.
06h00 da matina e, conforme combinado o Geraldo e a Tânia, os 2 companheiros destas andanças e técnicos da Ong Lupa, pararam à porta de casa para me apanhar.
E eu, já de máquina fotografia à mão, sento-me desta vez no banco de trás para uma viagem de 5 ou 6 horas… Os quilómetros não interessam… A saída foi logo uma aventura, pois para fugir ao transito fomos por um atalho até chegar à nacional 1 que vai para norte. Mas parece que todos os Moçambicanos conhecem este atalho e todos querem entrar em Maputo pelo mesmo sitio… e à boa maneira moçambicana pela esquerda, pela direita e pelo meio… só falta por cima… Assim para além de uma pista de solavancos e mais solavancos, também tínhamos de fazer gincana entre o amontoado de carros que vinham na nossa direcção.
Mas depois fomos abençoados com bons quilómetros de estrada alcatroada.
Depois de passar por Chokwé com o seu mercado de fruta á beira da estrada, viramos em Direcção a Massingir no cruzamento de Macia. Toda agente de Maputo conhece este cruzamento porque é o que dá acesso á praia de Beline, a mais concorrida do verão Maputense (não soa bem… tenho de averiguar se é assim que se prenuncia!)
À chegada deparamos, mesmo na entrada da aldeia/cidade, com um poste caído na estrada… Tivemos que desviar do caminho porque estavam a tentar retirá-lo. Conto isto porque nessa noite não havia electricidade em toda a região por causa de um homem que na noite anterior fez todo o caminho de volta de Maputo a Massingir para se ir enfeixar no poste a 50 metros da sua casa! Resultado, fez a viagem inversa de ambulância.
De qualquer forma, jantamos numa esplanada de uma casa com pretensão de restaurante, uma tilápia (peixe de polpa carnuda e dura, da albufeira local – lindo cenário, a albugeira) assada na brasa, à luz da vela.
Por outro lado o lodge comunitário também desliga o gerador local ás 22h00, pelo que antes de deitar, foram momentos passados com os seguranças à beira da fogueira, companhia das suas noites mais frias.
Desta vez Srs. e Sras., minha palhota era acolhedora, limpa e com uma vista… “vou-ti contar!!”
O amanhecer é outro momento único!! Numa paisagem de perder de vista o sol entra forte, pujante, sem qualquer pedido de licença… Estas terras são dele! Está em sua casa!
Mais tarde, ao fim da tarde, aí sim, despede-se pé ante pé, como que a nos preparar para o cenário da sua companheira de desencontros, a lua cheia! O céu desta vez ilumina-se de um só ponto, um foco de luz direccionado à cena nocturna de inúmeros actores e figurantes… cheia de efeitos especiais sonoros! Um sonoplasta por aqui está no paraíso!
O dia teve incidências que dão que pensar. Desde a reunião com o líder da comunidade, a visita à associação de pescadores e à escola. Não há muito tempo foi inaugurada uma nova sala de aula, financiada com provimentos vindos do lodge comunitário e que põe fim ás caminhadas de 15km de alguns alunos da 2ª classe!!
Estavam em teste! As caras, umas compenetradas, outras curiosas com esta aparição… outras, matreiras, aproveitavam a minha conversa com o Prof. para copiarem e passarem respostas aos colegas.
Mais adiante, fiquei a conhecer o atelier dos artesãos formados pela Lupa! Arte nos pequenos pormenores (passe o pleunasmo). Cada pedaço de madeira, tronco, raiz, semente ou fruto seco é manipulado em brincos, colares, pulseiras, estátuas e bustos e utensílios de cozinha.
Ao lado cultivam-se numa horta comunitária, bem arranjada, plantas medicinais – A Moringa, erva de propriedades incríveis, desde a condimentação na preparação de um prato, à utilização (sempre depois de seca ao sol) na purificação da água, tornando-a bebível.
São estes, alguns dos exemplos do trabalho de algumas Ong’s e entidades trans-nacionais, na sustentabilidade das comunidades locais. A construção, a formação, a introdução de novas práticas e hábitos nas culturas e meios de subsistência, aos poucos desfazem isolamentos, abrindo portas a outras oportunidades… Novamente, as simples coisas fazem a diferença… E fazem para eles, comunidade, e fazem para mim!
A àspera e ao mesmo tempo doce voz de Chavela Vargas (que alguém lhe chamou um dia, Deus e diabo) numa sua musica, fala disso mesmo… “Las simples cosas”. Será que, como ela diz, nunca nos despedimos dessas coisas simples que nos marcam? Que nos formam? Que nos criam pertença, se não for física, é sentimental de certeza?
Nada como a fogueira para meditar neste dia…
A manhã seguinte, pela frescura, abalava-se para mais um dia que marca…
Visita ao Grande Parque Nacional do Limpopo. Ligado com o Kruger, na África do Sul, e Gonarezhou, no Zimbabwe, esta área de confluência dos 3 rios (Limpopo, Shingwedzi e Olifants) com 10.000km2, no Oeste da província de Gaza, forma parte do enorme Great Limpopo Transfrontier Park. Com inúmeras paisagens diferentes, é a casa dos Big Five – Elefante, Rinoceronte, Leão, Leopardo e Búfalo – bem como de mais variedade de vida selvagem.
www.actf.gov.mz/lemon/parque_limpopo.html
www.limpopopn.gov.mz/pt/index.asp
A primeira paragem, à saída da aldeia, uma padaria que envergonha os nossos papo-secos, pelo gosto mas sobretudo pelo tamanho. Bem maiores que os nossos, servem para abrirmos ao meio e aconchegar lá dentro, uma Badjia. Espécie de pastel de feijão mais saboroso, não há! Um manjar de um desviajante… E na estrada, pelo parque dentro lá fomos lambendo os dedos já com o pensamento nos possíveis animais a serem avistados… Éramos 4 (os 2 técnicos da Ong, o responsável do Lodge comunitário e eu) mas éramos uma equipa de batedores do melhor que há!! Ora vejam a cena: Avistar animais não é fácil, não é ir à quinta pedagógica do Peral - São Brás de Alportel(que é uma bela visita a fazer). Temos de estar atentos e saber reconhecer sinais da sua passagem (galhos partidos, arvores dobradas, chapéus de coco de excremento de elefante à beira da picada) Só faltou ir lá com o dedo ver se cheira e sabe a excremento de elefante … É que o “chefe”, agora chamo-lhe de chefe do lodge, qual chefe tribal “olho de falcão” na descoberta de vida selvagem… Estamos perto, diz ele… Eu penso “Eles andem aí… e o gajo da Ong, que vai ao volante mas é um caguinchas que nem de cães se pode aproximar ou vice versa, deve querer gritar “Fugem moços que trazem, não pedras, mas as garras afiadas.. heheh) O silencio vai-se apoderando da pick up, bem preparada para estas andanças… 20km á hora, tudo atento ao mato que nos envolve…A savana prepara-se para fazer das suas… tchan tachan tanchan… estão a ouvir o rufar dos tambores? O coração bate… Qual dos Big Five? Será um elefante, será um leão, ou mesmo uma girafa, uma zebra, uma impala talvez …
Ali, ali… um esquilo!!! O cabr*** do esquilo tem a coragem de se atravessar à nossa frente neste preciso momento… Gargalhada geral…
Logo de seguida um grupo de impalas param de mascar folhas para nos mirarem olhos nos olhos… e aqui, a 1ª foto foi um prazer! A sensação é enorme… Neste momento, estou num documentário do Nacional Geographic.!! Mais impalas e mais e outro tipo de veado, o Kudo… Grande para veado, penso eu, enquanto oiço: esta noite vai ser o nosso jantar!?! Bife de Kudo - duro, rijo… mas saboroso!
Descobrimos um carreiro que vai dar a uma lagoa. Para espanto já o tinham descoberto antes… Um lodge de um empresário Sul Africano apresenta-se á nossa frente. 5 estrelas! Tendas de safari de dupla lona (para as cobras não entrarem) e ao correr-se o fecho, qual quarto de hotel de 5 estrelas á nossa mercê!! Quer dizer, à mercê de quem pagar o correspondente a 400€ por noite, por casal! Ali, do deck de cada quarto, a olho nu ou através de um telescópio privado, aves, elefantes e crocodilos são quase tocados por nós. A disposição do espaço, todo em madeira, tinha elementos que me recordaram opções que tive na Casa de Estoi, como foi a de manter todos os hóspedes a tomar o pequeno-almoço na mesma mesa! Aqui, era por cima da lagoa! Bom, vamos mas é embora para não cair em tentações! E próxima paragem, uma conversa interessante com os fiscais do Parque na alfandega da fronteira do Giriyondo, com a África do Sul e o Kruger. Os parques tocam-se e daí a denominação de transfronteiriços. Fiquei a saber que ver esquilo e impalas já foi uma sorte porque para ver mais animais tem de ser com eles, enveredando pelo mato adentro… Os animais já sabem que naquela picada passam sempre carros e afastam-se! O que é certo é que 5km de volta para Massingir, numa curva acentuada, um conjunto de elefantes refastelavam-se com a folhagem abundante dessa área. Não deu para tirar melhores fotos porque o acagaçado do volante passou por eles num ápice! O que é que ele faz nesta profissão, pensei eu?
Experiencias ao pôr-do-sol, foi o momento mais marcante deste regresso ao lodge comunitário – Um lodge entre o amanhecer e o pôr do sol – esta paisagem parecia outra. Cá de cima via-se uma nova pintura! Os verdes, incríveis! Verdes de todas as cores… E, sentado, em cima do meu poiso (o tronco de uma das fotos), delicio-me com o escurecer destas paragens e com ele a sinfonia recomeça!!
joão 15.07.10
Momentus vários. Palmilhando Maputo cultural…
Hoje, depois de conversa de balanço sobre a viagem de reconhecimento e ideias de aí vindas, com o director da Ong local, propus-me palmilhar mais uma parte de Maputo. Então fui para a baixa, novamente passando pela fortaleza portuguesa onde ainda dura uma bela feira de artesanato (mas agrada-me e saúdo a preservação do espaço, feito pela própria universidade de Maputo) e de seguida em direcção ao concelho municipal (câmara cá do sitio). Duas descobertas: todas as 2 a fazerem pensar nos meus amigos Louis e Teresa Lager!! Descobri o Instituto Franco-Moçambicano com o espaço mais bonito de Maputo (até agora) e uma dinâmica cultural muito boa – claro que já vou preenchendo a agenda para os próximos tempos – um exemplo é para Agosto, o 1º Festival de Artes de Maputo (ambicioso). A outra admiração foi encontrar o Cantaloupe cá do sítio – Os espaço Gil Vicente, contíguo ao Teatro do mesmo nome.
Aproveitei o resto do dia entre estes 2 novos venues das minhas andanças por Maputo. Nessa noite assisti a um peculiar concerto de AfroJazz de um grupo local mas com uma batida que ninguém conseguiu permanecer sentado… É tão engraçado ver as tugas e as trombonas a tentar dançar à africana… Todas desengonçadas, parecem os gatos, quando se põem almofadinhas nas patas… Ok, as tugas ainda se esforçavam…eh eh
Mas o mais giro foi quando o parceiro desta ida, na vinda me trouxe a casa e fomos parados por uma operação auto-stop… Ui, o balão!?! Ah ah!! Espera João, não estás no Algarve!!
Então reza assim: “Boa noite!” ao que o policia responde “Boa noite”; “Quer os documentos não é?”, enquanto dá tempo para tirar a carteira e descobrir o primeiro da remessa de documentos que se vai mostrar… Puro engano: “Não, patrão” O quê? (penso eu… ai o cacete… penso a seguir) “Não quero os documentos patrão! Quero um dinheirinho para beber uma fresquinha!” O quê??? (continuo a pensar… atão isto é assim á descarada?) Para não haver confusões, o policia repete “Não é preciso os documentos, arranja só uns meticais para beber uma fresquinha, patrão” Ok, toma lá 50mt… Eu ainda nem tinha dito nada, só pensado… Mas consegui dizer “Boa noite Sr. Guarda” A gargalhada foi duradoura e, mereceu mais uma fresquinha num bar ali perto de casa… só faltou ele ter vindo connosco!! (Outras considerações deixo para vocês)
joão 10.07.10
Aproveitei o resto do dia entre estes 2 novos venues das minhas andanças por Maputo. Nessa noite assisti a um peculiar concerto de AfroJazz de um grupo local mas com uma batida que ninguém conseguiu permanecer sentado… É tão engraçado ver as tugas e as trombonas a tentar dançar à africana… Todas desengonçadas, parecem os gatos, quando se põem almofadinhas nas patas… Ok, as tugas ainda se esforçavam…eh eh
Mas o mais giro foi quando o parceiro desta ida, na vinda me trouxe a casa e fomos parados por uma operação auto-stop… Ui, o balão!?! Ah ah!! Espera João, não estás no Algarve!!
Então reza assim: “Boa noite!” ao que o policia responde “Boa noite”; “Quer os documentos não é?”, enquanto dá tempo para tirar a carteira e descobrir o primeiro da remessa de documentos que se vai mostrar… Puro engano: “Não, patrão” O quê? (penso eu… ai o cacete… penso a seguir) “Não quero os documentos patrão! Quero um dinheirinho para beber uma fresquinha!” O quê??? (continuo a pensar… atão isto é assim á descarada?) Para não haver confusões, o policia repete “Não é preciso os documentos, arranja só uns meticais para beber uma fresquinha, patrão” Ok, toma lá 50mt… Eu ainda nem tinha dito nada, só pensado… Mas consegui dizer “Boa noite Sr. Guarda” A gargalhada foi duradoura e, mereceu mais uma fresquinha num bar ali perto de casa… só faltou ele ter vindo connosco!! (Outras considerações deixo para vocês)
joão 10.07.10
Momentus 10. Tornar a casa, casa!
O regresso a Maputo foi mais rápido e menos interessante, tirando as paisagens, que iam mudando consoante as tonalidades do dia, e as 2 ou 3 escolas (construídas com patrocínios de ONG’s), no meio do nada que apareciam, com as suas crianças acenando à nossa passagem. Talvez seja por isto que a mínima diferença faz a diferença!!
O silêncio foi-se apoderando ao longo de alguns quilómetros de terra vermelha como eu nunca vi… Parecia que havia uma ferida por aqui algures e a terra tinha sangrado durante dias… e, de um momento para o outro tinha estancado e a terra voltava a ter cor de terra.
A ver se não me perco, hoje é quinta-feira. E que diferença isso faz? Faz, faz, foi neste dia que decidi comprar comida para a casa (especiarias, carne, óleo, azeite e vinho branco, massas e polpa de tomate, fruta e iogurtes) e lençóis e toalhas novas - não me senti bem nas que me tinham dado (eram velhas) e já que é para 6 meses, decidi investir… Fui ao Jumbo cá do sitio que se chama Game… mas caramba, os gajos não são para brincadeiras!! Ora vejam, nas Áfricas, 1 lençol de baixo, 1 de cima, 2 fronhas (vinham só ao par), 1 toalha de banho e outra da cara, a módica quantia de 2700 meticais, qualquer coisa como 65€!!
Mas dormi que nem um anjinho…
joão 08.07.10
O silêncio foi-se apoderando ao longo de alguns quilómetros de terra vermelha como eu nunca vi… Parecia que havia uma ferida por aqui algures e a terra tinha sangrado durante dias… e, de um momento para o outro tinha estancado e a terra voltava a ter cor de terra.
A ver se não me perco, hoje é quinta-feira. E que diferença isso faz? Faz, faz, foi neste dia que decidi comprar comida para a casa (especiarias, carne, óleo, azeite e vinho branco, massas e polpa de tomate, fruta e iogurtes) e lençóis e toalhas novas - não me senti bem nas que me tinham dado (eram velhas) e já que é para 6 meses, decidi investir… Fui ao Jumbo cá do sitio que se chama Game… mas caramba, os gajos não são para brincadeiras!! Ora vejam, nas Áfricas, 1 lençol de baixo, 1 de cima, 2 fronhas (vinham só ao par), 1 toalha de banho e outra da cara, a módica quantia de 2700 meticais, qualquer coisa como 65€!!
Mas dormi que nem um anjinho…
joão 08.07.10
Momentus 9. Viagem de paradoxos
Lembro-me que no Brasil chamam pancadas de chuva. Por cá diz-se que o céu abriu as torneiras.
Nada mais que um som (forte) de uma rega extensiva ao que a vista alcança, quebra os 2 sons mais perfeitos - dos pássaros e vento - de um despertar no meio do nada… nada mesmo… mas mesmo nada… A cada chuvada (nesta manhã contei até 6 e depois achei que estava a fazer figura de tuga parvo e fiquei por aí), o vento embrutecia e a passarada calava-se, contrariadamente molhada, como eu, que me aventurei numa caminhada pelo acampamento… Apesar de serem rápidas, são intensamente molhadas (até às cuecas)…
Aí vem outra. Ouve-se á distancia o rasto que vai deixando nas árvores e terra. Consegue-se definir perfeitamente de onde vai aparecer (esquerda/direita/frente/detrás) e para onde passará… imaginem um extenso vale aos vossos pés com a savana à mercê da rega quase automática e meticulosa de cada chuvada… Pergunto-me se um dia estas torneiras abertas conseguirão encher a lagoa que ao fundo se vislumbra e outrora, preenchia todo o vale (havia hipopótamos e crocodilos aqui!) – principal razão da implementação deste lodge comunitário, pela Ong local e a OMT.
Ontem, a viagem de 120km iniciou-se devagar e acabou devagarinho… Não interessa o número de quilómetros! A distancia mede-se em tempo!! Por exemplo, quando perguntei ao guarda do 1º acampamento comunitário onde morava, a resposta foi ali perto, uma hora caminhando…
Assim, encontrava-me do lado direito de uma pick-up (mas não ia a conduzir… apenas travava fundo de vez em quando - aqui conduz-se pela direita ou melhor, aqui avança-se pela direita e também pela esquerda e pelo centro…eh eh)
Direcção Sul, na rota da Ponta do Ouro, “estancia balnear” fronteira com a África do Sul. Para os que se perguntam porque coloquei aspas, é porque cada vez mais entendo que a distancia que separa a nossa realidade europeia da africana, não é apenas física…
Então – por cá diz-me muito então (não sei se para concluir pensamento ou para encurtá-lo) – a jornada passa pelo “ferry” que atravessa o rio Maputo até Catembe, praia praticável mais próxima (a da Costa do Sol, dizem-me é impossível ao fim de semana tal o numero de gente que a ocupa). A 1ª parada foi num hotel (de um belga) com excelente vista para a grande cidade e que nos surpreendeu no ambiente ( mas caro como um raio – o quarto duplo custa o dobro do que praticava a Casa de Estoi!?!?)
Dizia-se que tinha um “museu” alusivo à passagem de Samora Machel, 1º Presidente de Moçambique. O certo é que na visita “guiada” á sala “museu” (reparem que as aspas continuam) compreendemos que nem o guia sabia de tal acontecimento. Apenas um pequeno memorial em sua homenagem com recortes de jornal, fotocopias e algumas pinturas com a sua imagem…
Seguimos pela “estrada” até “ali mais adiante” onde se encontrou um lodge de uma sra. local com muita pinta para o negócio… Aqui tiro-lhe o chapéu D. Emília. Com dinheiros do banco mundial, e um curso para mulheres empreendedoras do banco Banesto, aos poucos, construiu o seu lodge com quartos para todas as carteiras, com jardim bem ajardinado, esplanada onde se tomou um nice pequeno almoço, com centro de conferencias e discoteca (centro de conferencias de dia, discoteca à noite! Com cabine de dj e tudo!)… tudo isto junto a um rio com uma paisagem de fundo de ficar e não pensar em mais nada… Ou melhor, ainda se pensou dar um mergulha, antes de saber que os crocodilos banhavam-se ali!
De barriga cheia volta-se à estrada que vai deixando de o ser (mesmos para os moçambicanos) aos poucos… de caminho de terra para caminho de terra com pedras, para caminho de calhaus, para caminhos de lama, para caminho de cascalho, para caminho de terra e pasto no meio dos rodados, para caminho de pasto por todo o lado, para caminho de areia, para caminho… onde é que ele está?
Enfim, caros Srs. e Sras., tenho o prazer de anunciar que já fiz o meu Dakar! Não se riem… As dores no corpo que hoje sinto são prova disso… Ai, o que eu não dava por um spa com massagem duche vichy…
“Onde é que eu ia?” Ah, chegamos ao lodge! Vou ter muito trabalho pela frente para promover um espaço cheio de boa vontade e pouco mais… ok, é comunitário! Significa que é gerido pela comunidade, significa que… enfim, vamos batalhar para que esta comunidade consiga ter um contributo (leia-se chegada de turistas) para minimizar os índices de pobreza em que habitam.
Na tentativa de disfarçar uma certa desilusão (confesso que vinha com algumas ilusões e, pois é João, como um teu amigo diz, a desilusão só é tanto maior quanto o tamanho da ilusão) tentei conversar com os meus 2 companheiros nesta 1ª aventura (técnicos da Ong local)… Algumas ideias, considerações, preocupações e certezas apoderaram-se do meu “discurso” mas creio ter desviado a atenção sobre esse 1º sentimento… E, com convite prontamente aceite voltamos ao “Dakar” e fomos à estancia balnear… os 20 km mais estranhos que me lembro… sempre não querendo me iludir mas, depois, mais terra, pasto, areia e dunas!!! È o Dakar, não há duvida… chegamos à praia… paradoxalmente linda e feia… linda na natureza e feia no “desenvolvimento” que atrai! Paradoxalmente, encontramos gentes locais a viver em barracas e gentes turistas sul-africanos, de classe média, a viver em barracas (perdão, tendas!) Ok, também há os chalés (barracas chalés) e as lojas de compras (barracas de compras) e o mercado (barracas de venda, juntas) e os bares e restaurantes e os centros de surf e mergulhos (barracas de tudo) e esplanadas (barracas abertas)… e foi numa dessas esplanadas que nos sentamos com o Jorge, um moçambicano 5 estrelas que vive de passeios de barco aos golfinhos e baleias… Negócio que implantou na Ponta do Ouro, depois de deixar Maputo e se divorciar da mulher que lhe exercia violência doméstica – chegou a acordar dum sono com uma catana encostada aos tomates… No meio de 3 Black label (não do Johnny) mas a cerveja sul africana que por aqui se bebe, trocamos conversas e gargalhadas como se a amizade, que não existia, não contasse… (peçam-me para noutra altura lhes contar a história (real) do tubarão… eh eh
Bem haja, Jorge… que o vento, que por aqui é muito, te sopre pelas costas… sempre é melhor lidar com tubarões do que com mulheres com catana na liga… eh eh E elas andam, não na liga mas na mão! Andando à beira da estrada, de catana na mão!
De volta ao acampamento, uma ultima paragem num bar disco, feito de canas e palha e com uma vista para um vale e praia… Incrível, um ambiente que só visto… o ar, as pessoas, a música, a dança… e eu ali, de cerveja na mão (a abaladeira), como se estivesse a assistir a uma cena típica dum filme (à vossa escolha) do David Linch…
No caminho de volta uma das imagens que ficarão seguramente para sempre na minha memória: ao repto para parar a pick-up para despejar uma cervejinha, o colega assim o fez e, no meio da savana, no meio do escuro (luzes do carro desligadas) contempla-se um céu único!! Milhões de estrelas, nuvens de estrelas, rastos delas… Uma claridade salpicante, imensa, que envolve a Terra. Aqui, no hemisfério sul, no meio do escuro que não se tem na Europa, o céu é outro…
joão 07.07.10
Momentus 8. Há que ser positivo…
Momentus 8. Há que ser positivo…
A internet aqui é uma merda… Só não escrevo com letra grande para não ferir susceptibilidades… eh eh
É quase impossível navegar de página para página e para se ver uma página normal, por exemplo de um jornal,leva-se uma eternidade, à espera que descarregue as imagens… Resta a comunicação por email já que o skype é uma aventura para perceber o que se diz, quanto mais o que dizem… Mas lá se vai tentando com pensamento positivo! Ou então à martelada positiva!!
Era o que me apetecia muitas vezes fazer à pen de banda larga que me entregaram – “mcel – netmóvel turbo – a melhor internet móvel em Moçambique”
Chamo a vossa atenção, não para “ a melhor” (não contesto… há duas!!) mas sim para a palavra “turbo”…
Ora, que piadas de mal gosto poderíamos nós, assim como não quer a coisa, atribuir a esta expressão turbo, neste contexto que referi? Hum… há ideias? Turbo, só se for o nome do gajo da segurança (que de móvel não tem nada) da porta da loja mcel… José Inácio Mokelele Turbo da Silva…
Enfim, espero que vá conseguindo bloguear aos poucos… Ah são 6h00 da matina, e arranco para 2 dias de exploração pelo sul de Moçambique, até aos lodges comunitários inseridos neste projecto de cooperação internacional.
Um abraço (é para antecipar este período + carente) a todos,
joão 06.07.10
A internet aqui é uma merda… Só não escrevo com letra grande para não ferir susceptibilidades… eh eh
É quase impossível navegar de página para página e para se ver uma página normal, por exemplo de um jornal,leva-se uma eternidade, à espera que descarregue as imagens… Resta a comunicação por email já que o skype é uma aventura para perceber o que se diz, quanto mais o que dizem… Mas lá se vai tentando com pensamento positivo! Ou então à martelada positiva!!
Era o que me apetecia muitas vezes fazer à pen de banda larga que me entregaram – “mcel – netmóvel turbo – a melhor internet móvel em Moçambique”
Chamo a vossa atenção, não para “ a melhor” (não contesto… há duas!!) mas sim para a palavra “turbo”…
Ora, que piadas de mal gosto poderíamos nós, assim como não quer a coisa, atribuir a esta expressão turbo, neste contexto que referi? Hum… há ideias? Turbo, só se for o nome do gajo da segurança (que de móvel não tem nada) da porta da loja mcel… José Inácio Mokelele Turbo da Silva…
Enfim, espero que vá conseguindo bloguear aos poucos… Ah são 6h00 da matina, e arranco para 2 dias de exploração pelo sul de Moçambique, até aos lodges comunitários inseridos neste projecto de cooperação internacional.
Um abraço (é para antecipar este período + carente) a todos,
joão 06.07.10
Momentus 7. Blogueando
Blogueando num pequeno mundo de desabafos, que se interligam em verdadeiros momentos cheios de nada mas, completamente preenchidos de sentimentos, dão vida á vida do dia à dia. E como sou contra o trabalho/casa, casa/trabalho, e muito mais no estrangeiro, hoje fiz alguns 15km a pé… passando pela Ong (localizada no bairro das embaixadas já a caminho da Costa do Sol) e pelo Consulado Português em Moçambique para “lhes dizer que estou cá” – foi assim que me dirigi a um Sr. que se lamentava das burocracias próprias de um local único como este… eu repito! Consulado Português em Moçambique – Usem a imaginação… Mas não me posso queixar… Depois de ter só entraves para fazer o registo normal local (como o facto de não ter o passaporte comigo – apenas fotocopia – e ter o BI caducado, e descobrir a muito custo no fundo da carteira – já no forro descosido – uma foto ainda mais antiga que a própria carteira) tudo se compôs com as melhores facilidades no momento em que…. Adivinham? No momento em que se falou do Glorioso! Ah pois é! O Benfica também é uma nação em África… Vejam as imagens da comemoração do titulo em Maputo!
No fim ainda recebi um abraço e felicidades!!
joão 05.07.10
No fim ainda recebi um abraço e felicidades!!
joão 05.07.10
Momentus 6. Saudades…
.jpg)
Domingo! É incrível, um fim-de-semana em Maputo!… Onde é que eu estou?
Em vez de acordar tarde, dar um beijo à mulher e aos filhos, ir à missa, levá-los a passear no shoping e almoçar no franguinho da guia… eh eh... tinha a sua piada sem piada nenhuma!(shoping?!? franguinho da guia?!? Tem mesmo a ver comigo.
A sério, deu saudades, não desta descrição porque não existe, mas deu saudades do que representa um domingo com a componente aconchego que os mais próximos nos dão… Assim, sonhei convosco e propus-me adiar o despertar até onde mais pude… 8h00! Almocei uma bela feijoada à transmontana na Associação Portuguesa de Moçambique ao lado de uns “pedaços de domingo aí da terra”, representados nas mesas que me envolviam… Pois, não foi por acaso… E depois descobri uma bela esplanada para o final de tarde, bem perto de casa, e com uma vista que alenta qualquer momento de maior solidão… Daqui vê-se África… daqui vê-se o Indico… e cheira-se, na brisa que chega, antes do primeiro pôr do sol digno da sua fama… E quando as cortinas fecham, inspirado ou não… aqui ficam algumas pinceladas destes últimos dias.
joão 04.07.10
Em vez de acordar tarde, dar um beijo à mulher e aos filhos, ir à missa, levá-los a passear no shoping e almoçar no franguinho da guia… eh eh... tinha a sua piada sem piada nenhuma!(shoping?!? franguinho da guia?!? Tem mesmo a ver comigo.
A sério, deu saudades, não desta descrição porque não existe, mas deu saudades do que representa um domingo com a componente aconchego que os mais próximos nos dão… Assim, sonhei convosco e propus-me adiar o despertar até onde mais pude… 8h00! Almocei uma bela feijoada à transmontana na Associação Portuguesa de Moçambique ao lado de uns “pedaços de domingo aí da terra”, representados nas mesas que me envolviam… Pois, não foi por acaso… E depois descobri uma bela esplanada para o final de tarde, bem perto de casa, e com uma vista que alenta qualquer momento de maior solidão… Daqui vê-se África… daqui vê-se o Indico… e cheira-se, na brisa que chega, antes do primeiro pôr do sol digno da sua fama… E quando as cortinas fecham, inspirado ou não… aqui ficam algumas pinceladas destes últimos dias.
joão 04.07.10
Momentus 5 . Primeiro estranha-se, depois entranha-se!
É neste ambientar numa cidade desambientada, que se observam as incongruências daqui, d’agora, deste meu momento…
Moçambicanos à procura de um país, copiando o bom e o mal de outras sociedades (como a inspecção obrigatória!?! aos carros, neste estado calamitoso de estradas – se é que se pode chamar isso a caminhos de velho alcatrão e renovada terra – Imaginem os negócios que já se imaginam… eh eh).
Portugueses à procura de felicidade ou apenas de dinheiro, porque em Portugal, simplesmente já não conseguem nem uma coisa nem outra…
E outros, Portugueses e Moçambicanos na pele, no sangue ou no sentimento, que ainda procuram defini-lo, no dia a dia…
Como alguém diria, primeiro estranha-se e depois entranha-se… Tentar perceber é já outra coisa…
Ontem, 5º dia, num café tuga, o dono do mesmo, (tuga do norte, carago!) sai-se com esta, para um companheiro de aventura (conheci-o cá, mas veio no mesmo voo que eu), todavia aventura a outro nível, porque procura nova vida, estabelecendo negócio por estas bandas: “Oiça o que lhe digo… Você ouve o que dizem as pessoas, eu incluído… e depois filtra!! Porque aqui todos criam-lhe a dificuldade para lhe vender a facilidade! (que espressão... que frase... ainda hoje penso nesta máxima, tão dos nossos dias, em qualquer lugar!!) Assim são todos amigos… Assim são, todos os amigos… Oiça o que lhe digo, primeiro ouve e depois filtra… bem filtradinho…”
E aqui fica uma lição para a vida (pelo menos para estes próximos momentos que dela, este companheiro, vai esperar).
joão 04.07.10
Moçambicanos à procura de um país, copiando o bom e o mal de outras sociedades (como a inspecção obrigatória!?! aos carros, neste estado calamitoso de estradas – se é que se pode chamar isso a caminhos de velho alcatrão e renovada terra – Imaginem os negócios que já se imaginam… eh eh).
Portugueses à procura de felicidade ou apenas de dinheiro, porque em Portugal, simplesmente já não conseguem nem uma coisa nem outra…
E outros, Portugueses e Moçambicanos na pele, no sangue ou no sentimento, que ainda procuram defini-lo, no dia a dia…
Como alguém diria, primeiro estranha-se e depois entranha-se… Tentar perceber é já outra coisa…
Ontem, 5º dia, num café tuga, o dono do mesmo, (tuga do norte, carago!) sai-se com esta, para um companheiro de aventura (conheci-o cá, mas veio no mesmo voo que eu), todavia aventura a outro nível, porque procura nova vida, estabelecendo negócio por estas bandas: “Oiça o que lhe digo… Você ouve o que dizem as pessoas, eu incluído… e depois filtra!! Porque aqui todos criam-lhe a dificuldade para lhe vender a facilidade! (que espressão... que frase... ainda hoje penso nesta máxima, tão dos nossos dias, em qualquer lugar!!) Assim são todos amigos… Assim são, todos os amigos… Oiça o que lhe digo, primeiro ouve e depois filtra… bem filtradinho…”
E aqui fica uma lição para a vida (pelo menos para estes próximos momentos que dela, este companheiro, vai esperar).
joão 04.07.10
Momentus 4. Hoje sou africano – força Gana!
Sexta-feira, o fim-de-semana a entrar e a casa vazia de internet, televisão, musica e vazia de mim…
Passa-se a manhã na Ong local, a tentar dizer a esse mundo daí que estou bem, mas a net lá também faz das suas.
Ao final da tarde, proposta do director para jantar e ver o jogo do Gana, com uma nação africana a apoiar.
O jantar foi bom mas, no fim, a desilusão estampava-se na cara de muitos moçambicanos que torciam por um pais que ontem também era o deles… Há coisas que se sentem de outra forma por aqui…
joão 02.07.10
Passa-se a manhã na Ong local, a tentar dizer a esse mundo daí que estou bem, mas a net lá também faz das suas.
Ao final da tarde, proposta do director para jantar e ver o jogo do Gana, com uma nação africana a apoiar.
O jantar foi bom mas, no fim, a desilusão estampava-se na cara de muitos moçambicanos que torciam por um pais que ontem também era o deles… Há coisas que se sentem de outra forma por aqui…
joão 02.07.10
Momentus 3. Finalmente, nariz “desentupido”
As primeiras chuvas e agora sim, um cheiro que não se é insensível…estou em África… Ou melhor, numa cidade de África…Mas, é África nas suas ruas, nas suas gentes, mas suas chuvas, no seu cheiro… (E, soube hoje que iria nas próximas 3ª e 4ª feiras para o campo – Reserva dos Elefantes de Maputo)
É um cheiro a terra e não água… parece que chove terra e não água… ou lama, a mistura dos 2 elementos. Mas também um cheiro a arvores, mar, gente, especiarias… cheira estranho! Cheira a longe de casa!
joão 01.07.10
É um cheiro a terra e não água… parece que chove terra e não água… ou lama, a mistura dos 2 elementos. Mas também um cheiro a arvores, mar, gente, especiarias… cheira estranho! Cheira a longe de casa!
joão 01.07.10
Momentus 2. Dois mundos
Neste 2º dia, apresentações e reuniões formalizadas ou formalizantes, com as diversas entidades ligadas ao projecto… Como ouvi num comentário nesse dia, é giro ver os altos cargos fazerem os seus discursos e usar das formalidades e salamaleques uns com os outros quando, estudaram juntos na universidade e nos corredores tratam-se por tu… É a realidade de faz de conta… Os processos administrativos, a burocracia e as formalidades entraram no dia a dia desta classe social Moçambicana… A outra classe (isto de classificar!), está fora desses corredores e gabinetes…mas apenas ali ao lado, do lado de fora, na rua, pedindo e recolhendo lixo em busca de algo...
Ao final do dia … uma volta de carro pela cidade, mostra estes 2 mundos no seu expoente máximo… A zona das embaixadas e casas de novos ricos e as ruas da baixa, qual formigueiro, passeadas por gente que regressa a algum lugar vinda de lugar nenhum…
Mas, mesmo imbuído nestes primeiros pensamentos, sem querer definir qualquer pré-conceito, fica-me marcado o comentário que a senhora indiana, da loja de perfumes baratos e que troca dinheiro, fez a seguir à minha resposta de que ia passar cá 6 meses: Ai, você também vai-se embora mesmo na altura em que começa a gostar disto! E fiquei a pensar nisto… da próxima vez que lá for trocar dinheiro pergunto-lhe porquê? Porquê nos 6 meses? Porquê (também) eu?
Talvez seja no prazo onde (em mim) estes 2 mundos se (con)fundirão!?!?
joão 30.06.10
Ao final do dia … uma volta de carro pela cidade, mostra estes 2 mundos no seu expoente máximo… A zona das embaixadas e casas de novos ricos e as ruas da baixa, qual formigueiro, passeadas por gente que regressa a algum lugar vinda de lugar nenhum…
Mas, mesmo imbuído nestes primeiros pensamentos, sem querer definir qualquer pré-conceito, fica-me marcado o comentário que a senhora indiana, da loja de perfumes baratos e que troca dinheiro, fez a seguir à minha resposta de que ia passar cá 6 meses: Ai, você também vai-se embora mesmo na altura em que começa a gostar disto! E fiquei a pensar nisto… da próxima vez que lá for trocar dinheiro pergunto-lhe porquê? Porquê nos 6 meses? Porquê (também) eu?
Talvez seja no prazo onde (em mim) estes 2 mundos se (con)fundirão!?!?
joão 30.06.10
Momentus 1. Começa bem..!
À chegada, a 1ª inalação na procura do cheiro de África - devia ter o nariz entupido… eheh.
A sério, eram 5h35 quando o avião poisou no aeroporto de Maputo e o pensamento foi querer sentir o que era previsível ser diferente… O cheiro… e logo a seguir, a paisagem…
Nem um nem outro…
Então esperar que venham até mim, essas diferenças e, já agora, também a pessoa que, supostamente, deveria estar à minha espera… Pois, já estão a ver… Ninguém estava para me receber… começa bem!
Espera-se ou vou-me embora à conquista de não sei o quê? Uma boleia propôs-se a me levar até ao seu hotel e daí contactar a quem de direito… Assim foi, e do Hotel até ao Ministério do Turismo Moçambicano (onde, supostamente, também deveria ter um espaço de trabalho), era um salto.
Já no Ministério liga-se para alguém responsável pelo meu projecto porque também ainda não havia chegado ao trabalho… Tentam-se dois, três contactos diferentes… Tudo em ordem… já já me descobrirão! Bem dito bem feito, aparece o responsável da Ong local (também parte integrante do projecto de cooperação patrocinado pela OMT, onde eu estarei em trabalho nos próximos 6 meses).
A cena foi caricata, pois ele vinha com o cartaz com o meu nome que serviria para me encontrar no aeroporto! E, depois, um sorriso e um desabafo. Eu não deveria ter vindo embora pois a regra manda esperar! porque eles cá, dão sempre uma hora de atraso aos voos e o meu chegou 20 minutos adiantado… logo, a hora inteira que eu esperei ali por ele, não foi suficiente… eh eh… Bem vindo a Moçambique.
Estou num quarto alugado num apartamento bem no centro da cidade… boa! Tenho quase tudo ao alcance… boa!
Mas divido o apartamento com o ar de Maputo, sem televisão e internet há uns dias…
A televisão por cabo aqui é muito cara e a outra pessoa que vive no apartamento não está cá por vários meses e cortou-a… a net vai ser outra luta… espero estar em contacto com o mundo muito brevemente… espero estar em contacto comigo muito brevemente, porque neste momento não respondo ao meu próprio raciocínio…
joão 29.06.10 (noite dentro)
A sério, eram 5h35 quando o avião poisou no aeroporto de Maputo e o pensamento foi querer sentir o que era previsível ser diferente… O cheiro… e logo a seguir, a paisagem…
Nem um nem outro…
Então esperar que venham até mim, essas diferenças e, já agora, também a pessoa que, supostamente, deveria estar à minha espera… Pois, já estão a ver… Ninguém estava para me receber… começa bem!
Espera-se ou vou-me embora à conquista de não sei o quê? Uma boleia propôs-se a me levar até ao seu hotel e daí contactar a quem de direito… Assim foi, e do Hotel até ao Ministério do Turismo Moçambicano (onde, supostamente, também deveria ter um espaço de trabalho), era um salto.
Já no Ministério liga-se para alguém responsável pelo meu projecto porque também ainda não havia chegado ao trabalho… Tentam-se dois, três contactos diferentes… Tudo em ordem… já já me descobrirão! Bem dito bem feito, aparece o responsável da Ong local (também parte integrante do projecto de cooperação patrocinado pela OMT, onde eu estarei em trabalho nos próximos 6 meses).
A cena foi caricata, pois ele vinha com o cartaz com o meu nome que serviria para me encontrar no aeroporto! E, depois, um sorriso e um desabafo. Eu não deveria ter vindo embora pois a regra manda esperar! porque eles cá, dão sempre uma hora de atraso aos voos e o meu chegou 20 minutos adiantado… logo, a hora inteira que eu esperei ali por ele, não foi suficiente… eh eh… Bem vindo a Moçambique.
Estou num quarto alugado num apartamento bem no centro da cidade… boa! Tenho quase tudo ao alcance… boa!
Mas divido o apartamento com o ar de Maputo, sem televisão e internet há uns dias…
A televisão por cabo aqui é muito cara e a outra pessoa que vive no apartamento não está cá por vários meses e cortou-a… a net vai ser outra luta… espero estar em contacto com o mundo muito brevemente… espero estar em contacto comigo muito brevemente, porque neste momento não respondo ao meu próprio raciocínio…
joão 29.06.10 (noite dentro)
Momentus 0. As perguntas
Quando?
Neste momento… e nos próximos…
Onde?
Moçambique.
O quê?
Trabalho, marketing, promoção turística, cooperação internacional em turismo sustentável, viajar, sonhar, sentir…
Como?
Será contado, por aqui, ao longo do tempo…
Porquê?
Não sei… Claro que sei! Mas fica mais para mim, por agora…
Prefiro antes de tudo, partilhar um poema que me acompanha há alguns anos e me inspirará na vivência de cada (um outro) momento” neste…
…desviajar entre África e o Indico
Hoje comecei,
Mas não ri
Nem chorei.
Comecei como se começa,
Nem devagar,
Nem depressa.
Comecei como se termina,
Começar e acabar
É tudo a mesma sina.
Não é preciso ter pressa…
Vieira Calado
(Quem me está mais próximo, bem o sabe, não é?)
Não sei se terei as ganas dos espanhóis, para isto durar - acabei por ver o jogo Portugal/Espanha no Mundos (que nome para um bar… que nome para um bar onde eu estava sozinho, no meu mundo, noutro mundo, no meio de outros mundos) – não sei se durará como eu penso agora que vai durar, não sei se será “tesaneira de mijo”, não sei se me inquietarei por escrever ou não escrever… Apenas sei que iniciei… e daqui para a frente seja o que…. Se quizer!
Mas nada de streks! Sem obrigações! Sem compromissos! Sem promessas!
Afinal as amizades e, partilha das mesmas, fazem-se assim… sem nada em troca, apenas presentes (não ofertas)!
Sei que estão aí… um abraço do tamanho da distância que nos separa.
Esta página, dum mundo (pouco) global - a ser descoberta por familiares, amigos e amigos - é um desviajar, porque, é um pequeno/grande desvio para além das minhas fronteiras, nesta viagem que é acrescentar um momento ao outro… Ui!! pela1ª vez realizo que farei os meus 40! por cá… Um quarentão por terras de África - dava outro titulo!
(As reticências que se vão repetindo são talvez a marca desses momentos que não findam... mas que se vão tocando…)
E, “L’ áventure commence!” (como, sensualmente afirma a Maria de Medeiros no Pulp Fiction)
joão 29.06.10 (pela final da tarde)
Neste momento… e nos próximos…
Onde?
Moçambique.
O quê?
Trabalho, marketing, promoção turística, cooperação internacional em turismo sustentável, viajar, sonhar, sentir…
Como?
Será contado, por aqui, ao longo do tempo…
Porquê?
Não sei… Claro que sei! Mas fica mais para mim, por agora…
Prefiro antes de tudo, partilhar um poema que me acompanha há alguns anos e me inspirará na vivência de cada (um outro) momento” neste…
…desviajar entre África e o Indico
Hoje comecei,
Mas não ri
Nem chorei.
Comecei como se começa,
Nem devagar,
Nem depressa.
Comecei como se termina,
Começar e acabar
É tudo a mesma sina.
Não é preciso ter pressa…
Vieira Calado
(Quem me está mais próximo, bem o sabe, não é?)
Não sei se terei as ganas dos espanhóis, para isto durar - acabei por ver o jogo Portugal/Espanha no Mundos (que nome para um bar… que nome para um bar onde eu estava sozinho, no meu mundo, noutro mundo, no meio de outros mundos) – não sei se durará como eu penso agora que vai durar, não sei se será “tesaneira de mijo”, não sei se me inquietarei por escrever ou não escrever… Apenas sei que iniciei… e daqui para a frente seja o que…. Se quizer!
Mas nada de streks! Sem obrigações! Sem compromissos! Sem promessas!
Afinal as amizades e, partilha das mesmas, fazem-se assim… sem nada em troca, apenas presentes (não ofertas)!
Sei que estão aí… um abraço do tamanho da distância que nos separa.
Esta página, dum mundo (pouco) global - a ser descoberta por familiares, amigos e amigos - é um desviajar, porque, é um pequeno/grande desvio para além das minhas fronteiras, nesta viagem que é acrescentar um momento ao outro… Ui!! pela1ª vez realizo que farei os meus 40! por cá… Um quarentão por terras de África - dava outro titulo!
(As reticências que se vão repetindo são talvez a marca desses momentos que não findam... mas que se vão tocando…)
E, “L’ áventure commence!” (como, sensualmente afirma a Maria de Medeiros no Pulp Fiction)
joão 29.06.10 (pela final da tarde)
Afinal Viajar é sentir...

Pequena nota introdutória
Quase um mês… que marca!!
Lancei-me neste desviajar há quase um mês e, neste mês, muito foi pensado.
E, por cá, a velocidade do pensamento é diametralmente oposta à velocidade dos actos…
e como alguma coisa pensada foi parar ao papel…
e como algumas vozes se levantaram com a ideia do blog (vamos ver se o será!)
e como hoje é o dia do 1º aniversário da Teresinha (minha sobrinha preferida!) :), é uma data bonita para colocar-me online…
Assim, primeiro que tudo, Parabéns Terezinha! Que este dia de 1º aniversário seja do tamanho da tua fantástica vida! Não estou presente, mas aqueles que nos estão próximos, representarão, cada um, à sua maneira, um bocadinho do ti João, ausente deste 1º, mas não de muitos outros primeiros aniversários que virão!!
Assim, para compensar minimamente não estar aí, tu estás aqui, no dealbar deste espaço que espero seja tangível qb, para todos nós…
A ti, Tété.. tchin… tchin!
E, como desejo e espero que tenhas este mesmo prazer que o tio, para ti… um dia…
“Afinal viajar é sentir,
sentir tudo de todas as maneiras,
sentir tudo excessivamente…”
Álvaro de Campos
(Não podia deixar de ser! Era para ter sido António Aleixo mas, manas e pais, essa paixão foi mais juvenil… agora estou mais “refinado” e o tio Álvaro diz-me mais… se bem que o ti Aleixo ainda me faz rir.)
João 25.07.2010
Quase um mês… que marca!!
Lancei-me neste desviajar há quase um mês e, neste mês, muito foi pensado.
E, por cá, a velocidade do pensamento é diametralmente oposta à velocidade dos actos…
e como alguma coisa pensada foi parar ao papel…
e como algumas vozes se levantaram com a ideia do blog (vamos ver se o será!)
e como hoje é o dia do 1º aniversário da Teresinha (minha sobrinha preferida!) :), é uma data bonita para colocar-me online…
Assim, primeiro que tudo, Parabéns Terezinha! Que este dia de 1º aniversário seja do tamanho da tua fantástica vida! Não estou presente, mas aqueles que nos estão próximos, representarão, cada um, à sua maneira, um bocadinho do ti João, ausente deste 1º, mas não de muitos outros primeiros aniversários que virão!!
Assim, para compensar minimamente não estar aí, tu estás aqui, no dealbar deste espaço que espero seja tangível qb, para todos nós…
A ti, Tété.. tchin… tchin!
E, como desejo e espero que tenhas este mesmo prazer que o tio, para ti… um dia…
“Afinal viajar é sentir,
sentir tudo de todas as maneiras,
sentir tudo excessivamente…”
Álvaro de Campos
(Não podia deixar de ser! Era para ter sido António Aleixo mas, manas e pais, essa paixão foi mais juvenil… agora estou mais “refinado” e o tio Álvaro diz-me mais… se bem que o ti Aleixo ainda me faz rir.)
João 25.07.2010
Subscrever:
Mensagens (Atom)