dicas para uma melhor leitura...

as pseudo crónicas estão apresentadas da última para a primeira... logo a leitura inicial deve ser dos textos mais a baixo para os mais acima! (as datas, no fim de cada uma, ajudam)

também têm na coluna da direita o arquivo das mesmas por mês.

assim, o melhor é mesmo clicar num titulo (do arquivo) de cada vez, a partir de baixo para cima.

Bem vindos,
joão


Maputo, agora muito coltural




Que dia!! Ainda tento digerir o que se passou ontem… e tenho a certeza que não chegarei a certezas nenhumas… A ressaca (não de copos) de olhar para trás e perceber o que vi, senti, experimentei ontem, provoca sensações antagónicas…
Maputo no seu esplendor de coisas boas… mas será suficiente para me sentir bem nestes 6 meses? Sem vocês, é muito difícil… Não são 4 paredes que nos fazem sentir em casa… A sensação de pertença a algum lugar são as pessoas que a fazem… e como a família e amigos não há aí ao virar de cada esquina de África…
Depois de mais uma ida à migração, mas desta vez pela porta grande, directamente à directora (que por sua vez é mulher do ministro do turismo), uma reunião com o coordenador do projecto… trocas de opinião e outras conversas deram num convite para a sua casa de campo para um próximo fim-de-semana! Vou ficar à espera…
De seguida uma visita guiada ao mercado do peixe, um “mercado” sui generis: de um lado as bancas com os peixes, peixões e peixinhos, camarões e camarões, caranguejos do tamanho de santolas, amêijoas que parecem caixas de anéis de noivado, e outros bichos… É só escolher e comprar mas atenção que as balanças tem medidas de peso muito especiais… se é que me entendem. Do outro, debaixo de uma arvore centenária e bem frondosa, amontoam-se mesas e cadeiras onde, as gentes locais levam as suas compras acabadas de fazer para serem arranjadas e cozinhadas a pedido!! É só pedir as bebidas e esperar que o que se acabou de comprar venha tudo para o prato! eh eh
Outra coisa engraçada, é que não há ninguém que ao dar sugestões sobre Maputo, não queira indicar uma discoteca!! Não é preciso perguntar nada! Há um guia de discotecas em cada pessoa, seja qual for o estrato social. Hoje falaram-me de uma que tem 3 andares, cada um com o seu estrato social, com o seu ambiente, decoração, musica e naturalmente, preços…
Mas o melhor do dia, estava destinado já há um tempo… Tinha decidido que iria ver no Teatro Gil Vicente (faz lembrar os cine-teatros antigos, desses tempos tão nossos, antes da praga das pipocas!!), o espectáculo organizado pela cooperação internacional Espanhola (temos tanto a aprender com este país aí do lado, em cooperação - peço desculpa, mas é verdade!): Daniel Navarro, fantástico dançarino de Flamenco, com o grupo Moçambicano Timbila Muzimba. Não era preciso a apresentação do chefe da delegação espanhola em Moçambique, para se perceber que o melhor deste mundo são as fusões de culturas… e a Música do Mundo é um expoente máximo desse encanto! Encantado saí eu daquele espaço… um mundo entre 4 paredes! Raças, cores, estratos sociais, géneros vários, pertenças diferentes ou não!! Uma Arca de Noé da raça humana…
E, como explicar o incorporar de 2 ritmos tão fortes e únicos como o Flamengo e a Marrabenta? Fácil, com uma simplicidade tão emotiva, tão humana… O sapateado macho frente a frente com movimentos negros, o rabo espetado encostado a um passe de capote, os ais ciganos imiscuem-se nos gritos tribais, o cajon torna-se africano, e os batuques respondem às palmas gitanas… E o que dizer da danças flamenca e marrabenta, a certa altura serem uma só e não se conseguir diferencia-las?
Adorava que todos estivessem aqui, porque mesmo que este espectáculo se replique por outros palcos aí na Europa (e digo-lhes que teria muito sucesso) a resposta deste público foi única… Não foi só publico a subir ao palco para dançar com os músicos, foram os músicos que desceram para a plateia para dançar com o publico (com Daniel Navaro á cabeça!) Incrível… Um momento único para mim, mas estava estampado nas caras destas gentes, sejam quem forem, que também para eles! À saída, atrás de mim, 2 rapazes desses que vendem qualquer coisa nas ruas (perguntei-lhes o se gostaram) comentavam com esta simplicidade: “Valeu bro! Valeu!
É que o espectáculo foi grátis para todos!!
Atravessando a av. Samora Machel em passo apressado, ainda consegui chegar a tempo ao Instituto Franco-Moçabicano, à vernissage da instalação Mafalala Blues, de uma fotografa moçambicana Camila de Sousa. Trata-se de uma exposição fotográfica da vida do bairro de Mafalala, ao longo dos tempos. (Do bairro falarei brevemente pois quero voltar à exposição numa outra oportunidade mais tranquila e parece que tem muita história para contar!)
Por entre um copo de vinho e uma chamussa saída da panela, sei que o espaço do Instituto Franco Moçambicano, o melhor espaço cultural de Maputo, era para ter sido o espaço do Instituto Camões!! Não o é porquê? Porque os Portugueses se puseram com indecisões e muitas formalidades … Isto dito por Pablo (nome espanhol decidido por cubanos amigos do pai, porque o pai não se decidia com a bebedeira que tinha na noite do seu nascimento), moçambicano e RP do espaço, apesar de dizer que a sua função é conversar com as pessoas.
De seguida, jantar com alguém que não conheço mas que é amigo de amigo… Chegado ao local (que por acaso já tinha lá jantado 2 vezes) encontro-me com uma mesa de 12 pessoas entre portugueses, moçambicanos, sueco, birmanesa, brasileira e chilenos… outro mundo à mesa! Imaginem as conversas…
Final de uma noite cultural como esta não podia ser noutro sitio que não a Rua das Artes!! Uma ruela fechada ao trânsito, por 2 lonas negras enormes, onde uma faz de entrada (150mt) e a outra serve de pano de fundo à cabine do dj. Entre uma e outra lona, são projectadas debaixo da estrelas as várias nacionalidades (embaixadas e consulados representados) ao som das musicas e conversas. Pede-se bebidas nos balcões improvisados e senta-se nos pequenos corners de mesas e bancos de verga… entre gargalhadas, danças e Laurentinas (a outra cerveja moçambicana) olha-se o céu… Cheguei a casa bem disposto… foram bons momentos…
E a minha man’Ana faz hoje 36 anos! Parabéns mana… tudo de bom!
joão 17.07.10

1 comentário:

Unknown disse...

és linda Mana!!!