dicas para uma melhor leitura...

as pseudo crónicas estão apresentadas da última para a primeira... logo a leitura inicial deve ser dos textos mais a baixo para os mais acima! (as datas, no fim de cada uma, ajudam)

também têm na coluna da direita o arquivo das mesmas por mês.

assim, o melhor é mesmo clicar num titulo (do arquivo) de cada vez, a partir de baixo para cima.

Bem vindos,
joão


Parque Nacional do Limpopo (um Kruger mais modesto…)





Segunda semana por terras de África e segunda viagem… desta vez um pouco mais além! Mas para noroeste de Maputo. Direcção, Parque Nacional do Limpopo.
06h00 da matina e, conforme combinado o Geraldo e a Tânia, os 2 companheiros destas andanças e técnicos da Ong Lupa, pararam à porta de casa para me apanhar.
E eu, já de máquina fotografia à mão, sento-me desta vez no banco de trás para uma viagem de 5 ou 6 horas… Os quilómetros não interessam… A saída foi logo uma aventura, pois para fugir ao transito fomos por um atalho até chegar à nacional 1 que vai para norte. Mas parece que todos os Moçambicanos conhecem este atalho e todos querem entrar em Maputo pelo mesmo sitio… e à boa maneira moçambicana pela esquerda, pela direita e pelo meio… só falta por cima… Assim para além de uma pista de solavancos e mais solavancos, também tínhamos de fazer gincana entre o amontoado de carros que vinham na nossa direcção.
Mas depois fomos abençoados com bons quilómetros de estrada alcatroada.
Depois de passar por Chokwé com o seu mercado de fruta á beira da estrada, viramos em Direcção a Massingir no cruzamento de Macia. Toda agente de Maputo conhece este cruzamento porque é o que dá acesso á praia de Beline, a mais concorrida do verão Maputense (não soa bem… tenho de averiguar se é assim que se prenuncia!)
À chegada deparamos, mesmo na entrada da aldeia/cidade, com um poste caído na estrada… Tivemos que desviar do caminho porque estavam a tentar retirá-lo. Conto isto porque nessa noite não havia electricidade em toda a região por causa de um homem que na noite anterior fez todo o caminho de volta de Maputo a Massingir para se ir enfeixar no poste a 50 metros da sua casa! Resultado, fez a viagem inversa de ambulância.
De qualquer forma, jantamos numa esplanada de uma casa com pretensão de restaurante, uma tilápia (peixe de polpa carnuda e dura, da albufeira local – lindo cenário, a albugeira) assada na brasa, à luz da vela.
Por outro lado o lodge comunitário também desliga o gerador local ás 22h00, pelo que antes de deitar, foram momentos passados com os seguranças à beira da fogueira, companhia das suas noites mais frias.
Desta vez Srs. e Sras., minha palhota era acolhedora, limpa e com uma vista… “vou-ti contar!!”
O amanhecer é outro momento único!! Numa paisagem de perder de vista o sol entra forte, pujante, sem qualquer pedido de licença… Estas terras são dele! Está em sua casa!
Mais tarde, ao fim da tarde, aí sim, despede-se pé ante pé, como que a nos preparar para o cenário da sua companheira de desencontros, a lua cheia! O céu desta vez ilumina-se de um só ponto, um foco de luz direccionado à cena nocturna de inúmeros actores e figurantes… cheia de efeitos especiais sonoros! Um sonoplasta por aqui está no paraíso!
O dia teve incidências que dão que pensar. Desde a reunião com o líder da comunidade, a visita à associação de pescadores e à escola. Não há muito tempo foi inaugurada uma nova sala de aula, financiada com provimentos vindos do lodge comunitário e que põe fim ás caminhadas de 15km de alguns alunos da 2ª classe!!
Estavam em teste! As caras, umas compenetradas, outras curiosas com esta aparição… outras, matreiras, aproveitavam a minha conversa com o Prof. para copiarem e passarem respostas aos colegas.
Mais adiante, fiquei a conhecer o atelier dos artesãos formados pela Lupa! Arte nos pequenos pormenores (passe o pleunasmo). Cada pedaço de madeira, tronco, raiz, semente ou fruto seco é manipulado em brincos, colares, pulseiras, estátuas e bustos e utensílios de cozinha.
Ao lado cultivam-se numa horta comunitária, bem arranjada, plantas medicinais – A Moringa, erva de propriedades incríveis, desde a condimentação na preparação de um prato, à utilização (sempre depois de seca ao sol) na purificação da água, tornando-a bebível.
São estes, alguns dos exemplos do trabalho de algumas Ong’s e entidades trans-nacionais, na sustentabilidade das comunidades locais. A construção, a formação, a introdução de novas práticas e hábitos nas culturas e meios de subsistência, aos poucos desfazem isolamentos, abrindo portas a outras oportunidades… Novamente, as simples coisas fazem a diferença… E fazem para eles, comunidade, e fazem para mim!
A àspera e ao mesmo tempo doce voz de Chavela Vargas (que alguém lhe chamou um dia, Deus e diabo) numa sua musica, fala disso mesmo… “Las simples cosas”. Será que, como ela diz, nunca nos despedimos dessas coisas simples que nos marcam? Que nos formam? Que nos criam pertença, se não for física, é sentimental de certeza?
Nada como a fogueira para meditar neste dia…
A manhã seguinte, pela frescura, abalava-se para mais um dia que marca…
Visita ao Grande Parque Nacional do Limpopo. Ligado com o Kruger, na África do Sul, e Gonarezhou, no Zimbabwe, esta área de confluência dos 3 rios (Limpopo, Shingwedzi e Olifants) com 10.000km2, no Oeste da província de Gaza, forma parte do enorme Great Limpopo Transfrontier Park. Com inúmeras paisagens diferentes, é a casa dos Big Five – Elefante, Rinoceronte, Leão, Leopardo e Búfalo – bem como de mais variedade de vida selvagem.

www.actf.gov.mz/lemon/parque_limpopo.html
www.limpopopn.gov.mz/pt/index.asp

A primeira paragem, à saída da aldeia, uma padaria que envergonha os nossos papo-secos, pelo gosto mas sobretudo pelo tamanho. Bem maiores que os nossos, servem para abrirmos ao meio e aconchegar lá dentro, uma Badjia. Espécie de pastel de feijão mais saboroso, não há! Um manjar de um desviajante… E na estrada, pelo parque dentro lá fomos lambendo os dedos já com o pensamento nos possíveis animais a serem avistados… Éramos 4 (os 2 técnicos da Ong, o responsável do Lodge comunitário e eu) mas éramos uma equipa de batedores do melhor que há!! Ora vejam a cena: Avistar animais não é fácil, não é ir à quinta pedagógica do Peral - São Brás de Alportel(que é uma bela visita a fazer). Temos de estar atentos e saber reconhecer sinais da sua passagem (galhos partidos, arvores dobradas, chapéus de coco de excremento de elefante à beira da picada) Só faltou ir lá com o dedo ver se cheira e sabe a excremento de elefante … É que o “chefe”, agora chamo-lhe de chefe do lodge, qual chefe tribal “olho de falcão” na descoberta de vida selvagem… Estamos perto, diz ele… Eu penso “Eles andem aí… e o gajo da Ong, que vai ao volante mas é um caguinchas que nem de cães se pode aproximar ou vice versa, deve querer gritar “Fugem moços que trazem, não pedras, mas as garras afiadas.. heheh) O silencio vai-se apoderando da pick up, bem preparada para estas andanças… 20km á hora, tudo atento ao mato que nos envolve…A savana prepara-se para fazer das suas… tchan tachan tanchan… estão a ouvir o rufar dos tambores? O coração bate… Qual dos Big Five? Será um elefante, será um leão, ou mesmo uma girafa, uma zebra, uma impala talvez …
Ali, ali… um esquilo!!! O cabr*** do esquilo tem a coragem de se atravessar à nossa frente neste preciso momento… Gargalhada geral…
Logo de seguida um grupo de impalas param de mascar folhas para nos mirarem olhos nos olhos… e aqui, a 1ª foto foi um prazer! A sensação é enorme… Neste momento, estou num documentário do Nacional Geographic.!! Mais impalas e mais e outro tipo de veado, o Kudo… Grande para veado, penso eu, enquanto oiço: esta noite vai ser o nosso jantar!?! Bife de Kudo - duro, rijo… mas saboroso!
Descobrimos um carreiro que vai dar a uma lagoa. Para espanto já o tinham descoberto antes… Um lodge de um empresário Sul Africano apresenta-se á nossa frente. 5 estrelas! Tendas de safari de dupla lona (para as cobras não entrarem) e ao correr-se o fecho, qual quarto de hotel de 5 estrelas á nossa mercê!! Quer dizer, à mercê de quem pagar o correspondente a 400€ por noite, por casal! Ali, do deck de cada quarto, a olho nu ou através de um telescópio privado, aves, elefantes e crocodilos são quase tocados por nós. A disposição do espaço, todo em madeira, tinha elementos que me recordaram opções que tive na Casa de Estoi, como foi a de manter todos os hóspedes a tomar o pequeno-almoço na mesma mesa! Aqui, era por cima da lagoa! Bom, vamos mas é embora para não cair em tentações! E próxima paragem, uma conversa interessante com os fiscais do Parque na alfandega da fronteira do Giriyondo, com a África do Sul e o Kruger. Os parques tocam-se e daí a denominação de transfronteiriços. Fiquei a saber que ver esquilo e impalas já foi uma sorte porque para ver mais animais tem de ser com eles, enveredando pelo mato adentro… Os animais já sabem que naquela picada passam sempre carros e afastam-se! O que é certo é que 5km de volta para Massingir, numa curva acentuada, um conjunto de elefantes refastelavam-se com a folhagem abundante dessa área. Não deu para tirar melhores fotos porque o acagaçado do volante passou por eles num ápice! O que é que ele faz nesta profissão, pensei eu?
Experiencias ao pôr-do-sol, foi o momento mais marcante deste regresso ao lodge comunitário – Um lodge entre o amanhecer e o pôr do sol – esta paisagem parecia outra. Cá de cima via-se uma nova pintura! Os verdes, incríveis! Verdes de todas as cores… E, sentado, em cima do meu poiso (o tronco de uma das fotos), delicio-me com o escurecer destas paragens e com ele a sinfonia recomeça!!

joão 15.07.10

4 comentários:

Unknown disse...

Brother...maputenses está bem escrito... :-)

fogadina disse...

Eu já estou a morrer de inveja, o que diga-se de passagem, é feio, mas é verdade...1

Moura disse...

Eu conto os dias para aí chegar! :)

Carlos Mesquita disse...

E um dia, quando nos (re)encontrarmos no nosso Algarve, falar-te-ei de Limpopo, do seu chá e de quem o explorou antes do 25/04/74.